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Convidado - A viagem rumo ao oeste de Babetida Sadjo

RFI

De segunda a sexta-feira (ou, quando a actualidade o justifica, mesmo ao fim de semana), sob forma de entrevista, analisamos um dos temas em destaque na actualidade.

Location:

Paris, France

Genres:

Podcasts

Networks:

RFI

Description:

De segunda a sexta-feira (ou, quando a actualidade o justifica, mesmo ao fim de semana), sob forma de entrevista, analisamos um dos temas em destaque na actualidade.

Language:

Portuguese


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Emmanuel Macron deu provas "de alguma humildade em dissolver a Assembleia"

6/13/2024
O Partido Socialista, Os Verdes, os Comunistas, a França Insubmissa criaram na segunda-feira, 10 de Junho, uma Frente Popular. À direita, o líder d'Os Republicanos, Eric Ciotti, foi expulso do partido por ter apelado a uma aliança com a extrema-direita. Na extrema-direita, Marion Maréchal foi expulsa do partido Reconquista. "Emmanuel Macron deu provas de alguma humildade em dissolver a Assembleia", defende o vereador em Nogent-sur-Marne, Philippe Pereira, militante do Partido Renascença. RFI: Emmanuel Macron dissolveu no domingo, a Assembleia Nacional, convocou novas eleições antecipadas legislativas. Qual é que foi a intenção do Presidente da República? Philippe Pereira: É difícil de falar por ele porque a decisão deve ter sido tão complexa de tomar. Imagino que o Presidente da República, depois de várias situações como as últimas eleições legislativas, em que se encontrou em minoria na Assembleia Nacional, depois de várias dificuldades em termos de governação, numa relação muito específica, nomeadamente com a Marine Le Pen, e neste contexto de eleições europeias., teve uma decisão bastante democrática, uma decisão além daquilo que se espera. O resultado alcançado nas europeias não foi à altura daquilo que esperava. Houve uma mensagem forte enviada pelos franceses que foram votar no domingo e talvez [Emmanuel Macron] tenha feito prova de alguma humildade em dissolver a Assembleia e deixar a última palavra aos cidadãos. Nos últimos anos, Emmanuel Macron foi acusado de não ouvir os franceses. Alguns eleitores continuam a reafirmar o facto de não se sentirem ouvidos pelo Presidente da República? Exacto. Temos todos ouvido isso e creio que o Presidente da República também tem ouvido isso. Nesta situação, cinco dias depois da dissolução do Parlamento, talvez possamos ter outros argumentos e outros comentários, mas não podemos ter o argumento de não ser ouvidos ou de os cidadãos não terem sido ouvidos desde domingo. Esta quarta-feira, em conferência de imprensa, Emmanuel Macron disse querer conquistar todos os franceses que não se quiserem juntar aos partidos extremistas e os eleitores que não querem alianças 'contranatura'. O Presidente disse que não se vai demitir depois das eleições. Emmanuel Macron pode, em duas semanas, fazer esquecer as sucessivas crises sociais e reconquistar uma parte dos eleitores que o elegeram em 2017? Em duas semanas estou convencido que não pode, mas é um ponto de vista muito pessoal. O primeiro objectivo deve ser a forma de convencer os cidadãos a ir votar para um bloco central alargado, o mais democrático possível e, digamos, republicano, no sentido em que os franceses utilizam o bloco republicano. É convencer todos aqueles que não querem pôr no poder os extremos e sejam eles de direita ou de esquerda, convencer essa força central e maioritária, imagino, mesmo apegada aos valores fundamentais e à democracia. Neste primeiro tempo com a meta do 30 de Junho e depois do 7 de Julho. Depois é que virá o tempo de tomar as decisões que permitam convencer os franceses que tomaram a boa decisão também em voltar para o bloco central. Acho que é em dois tempos que temos de ver as coisas. Convencer hoje os franceses de que tudo vai mudar é complicado, mas tem que mudar. A seguir às eleições, as coisas têm que mudar no bom sentido. Evoca o Bloco Central, esta Frente Republicana. A Frente Republicana ainda existe? Ainda deve existir porque não é uma questão partidária, é uma questão de valores e de consciência de cada cidadão para si próprio ou consigo próprio. Eu creio que ainda existe. Ao ver os diferentes resultados nas últimas eleições, talvez não seja aquela frente republicana que elegeu Jacques Chirac com 80% há 20 anos atrás, mas ainda existe e estou convencido que é uma parte maioritária da sociedade francesa. Olhando para o mapa dos resultados das eleições europeias do domingo, que deram vitória à extrema-direita da União Nacional de Jordane Bardella, como é que interpreta estes resultados? Eu...

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Eric Ciotti tomou decisão "unilateral" e "descabida" ao aceitar parceria com extrema-direita

6/12/2024
O actual líder do partido do maior partido de direita em França, Os Republicanos, Eric Ciotti, deu luz verde a um acordo com a extrema-direita, o que está a incendiar as opiniões dos militantes e de figuras relevantes deste partido, com Paulo Marques, autarca em Aulnay-sous-Bois, a dizer à RFI que se trata de uma decisão "unilateral" e "descabida". Em França, após o anúncio da dissolução da Assembleia Nacional e convocação de eleições legislativas relâmpago por parte de Emmanuel Macron, a vida política está em alvoroço. Na terça-feira, o líder do partido de direita, Os Republicanos, Eric Ciotti, anunciou que o seu partido aceitava coligar-se com o partido de extrema-direita, União Nacional, de Marine Le Pen. Uma união que surpreendeu e enfureceu os próprios militantes d’Os Republicanos, cujos líderes até agora sempre recusaram alianças com a extrema-direita. Para Paulo Marques, vereador da cidade de Aulnay-sous-Bois nos arredores de Paris e membro do partido Os Republicanos, esta foi uma decisão unilateral, descabida e que não representa nem o seu partido, nem os valores de antigos líderes como Jacques Chirac. "É uma decisão do presidente do partido, Eric Ciotti, que decidiu unilateralmente e sem mandato claro dos órgãos dos republicanos, de uma aliança com a antiga Frente Nacional e com Bardella e com a Marine Le Pen. Obviamente, há um encontro político na sede d'Os republicanos hoje e é óbvio que o presidente dos republicanos vai ter que se explicar sobre essa união", indicou Paulo Marques. Esta reunião vai acontecer na sede do partido hoje à tarde, em Paris, mas Eric Ciotti já fez saber que não estará presente e que considera que este encontro não tem qualquer validade. Entre as possibilidades que restam à cúpula de decisão do partido, está a destituição de Ciotti como presidente desta força política. Para Paulo Marques, esta decisão de Ciotti foi pensada a nível "individual" para garantir a sua própria reeleição em Nice, mas não representa a vontade do partido já que figuras como o antigo líder Laurent Wauquiez ou a presidente da região de Paris, Valerie Pecresse, vieram inviabilizar qualquer união com Marine Le Pen. "A solução é clara: manter a nossa opinião, a nossa linha gaullista. Mas também Jacques Chirac, nomeadamente ele, que foi o Presidente da República que abriu os braços à comunidade portuguesa para ela poder se envolver, para ela ser ouvida. E ele sempre disse: n"ão podemos ir e aceitar os extremos, não podemos e nunca o faremos". E é o que nós nos sentimos. Sentimos nos nossos territórios que também o nosso eleitorado não está a compreender esta situação. Os republicanos vão continuar com as suas ambições, nomeadamente em prol das nossas comunidades, porque nós somos um partido de governo, um partido muito, muito próximo das comunidades. Aliás, é o partido que mais autarquias tem das 36.000 autarquias em França", explicou. Paulo Marques disse ter já recebido telefonemas de imigrantes portugueses em França preocupados com este alinhamento da direita e que na sua cidade, marcada pela multiculturalismo, a ameaça está nos extremos, com a população apenas a querer paz. "O nosso distrito foi o único onde foi a extrema esquerda que ganhou as europeias com perto de 40%. Nós temos um problema que é o extremismo. E há um culpado. Emmanuel Macron. Porquê? Porque ele não quis nem esquerda nem direita. Então ele ele aniquilou a esquerda, está a aniquilar a direita. E agora temos como opção ou a extrema esquerda e a extrema direita. É isso e é fracturante e fractura uns contra os outros. E nós sentimos que nos nossos territórios o que nos solicitam é paz, que haja união, coesão e que se fale dos problemas dos franceses no seu quotidiano, no seu dia a dia", concluiu.

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Custo da recuperação da Ucrânia pós-guerra aproxima-se dos 500 mil milhões de dólares

6/11/2024
Inês Rocha assumiu recentemente o cargo de directora para toda a Europa da Corporação Financeira Internacional (IFC), uma instituição do Banco Mundial, e vai estar presente em Berlim para a conferência que visa recolher fundos para a reconstrução da Ucrânia. Um país "resiliente", mas que precisa desde já de investimento privado para ultrapassar as dificuldades impostas pela invasão da Rússia, como explicou em entrevista à RFI. A Conferência para a Reconstrução da Ucrânia decorre entre estas terça e quarta-feira em Berlim. Esta é a sua terceira edição e junta governos, organizações internacionais e sector privado de forma a encontrar soluções para apoiar a economia ucraniana desde já, mas também recolher desde já compromissos para o fim esperado da guerra, quando Kiev puder começar a pensar na reconstrução do país. Um estudo recente do Banco Mundial mostrou que a Ucrânia precisa aproximadamente de 486 mil milhões de dólares para se reerguer, um número que se eleva todos os dias com a continuidade da presença russa em território ucraniano. Para Inês Rocha, directora para a Europa da Corporaçao Financeira Internacional, estes fundos serão necessários para todos os sectores. "Estas necessidades de 486 mil milhões são relativas à habitação, transportes, comércio, indústria, agricultura. E também restauro da parte de geração eléctrica, porque a Rússia tem atacado particularmente os sistemas e as infraestruturas energéticas da Ucrânia", detalhou. Volodymyr Zelensky está a participar nesta conferência em Berlim. Nesta terça-feira, o chanceler Olaf Scholz disse que é preciso continuar a reforçar as defesas aéreas da Ucrânia, com o próprio Presidente Volodymyr Zelensky a marcar presença em Berlim, mas é a nível dos investimentos que se joga também o futuro da Ucrânia, já que apesar da sua "resiliência", muitos investidores saíram do país e quase todas as empresas ucranians foram afectadas pela invasão. "A Ucrânia tem demonstrado uma resiliência incrível, apesar de todos o impacto negativo da guerra. De acordo com os dados do Banco Mundial, 84% das empresas foram afectadas em relação a vendas, investimentos, investimentos estrangeiros e temos o investimento estrangeiro a metade do que se tinha nos anos nos anos anteriores. Mas ainda há empresas que estão a investir", explicou Inês Rocha. O IFC, que integra o Banco Mundial, assim como outros bancos de desenvolvimento estão presentes na Ucrânia tentando captar investimento internacional para manter a frágil economia ucraniana a funcionar e incentivando a novas investimentos, já que a reconstrução do país não se fará só com ajuda internacional "É claro que sector privado novo, hesita porque estamos numa zona de conflito, mas por isso é que é ainda mais importante o papel desta [conferência] multilateral. O Banco Mundial e outros bancos de desenvolvimento estão lá para estimular o sector privado, os investimentos e também ajudar os investidores privados que querem continuar a operar na Ucrânia através, por exemplo, de algum apoio financeiro a nível de risco", indicou Inês Rocha. Para além das dificuldades ligadas à destruição da guerra, a Ucrânia tem também a cumprir um plano de reformas caso queira prosseguir com a integração na União Europeia, com Bruxelas a ter já dado 50 mil milhões de euros para este efeito, mas muito está ainda por fazer, com o Governo a pensar já na reconstrução que vá de encontro às metas europeias. "Na habitação, por exemplo, há um apoio ao restauro e reparações que é muito importante, mas por exemplo, também se pode associar a medidas de eficiência energética. Portanto, olhando um bocado um bocado para o futuro. Há ainda necessidade de organizar a parte social, as instalações na área de educação, saúde, cultura, reformas na parte agrícola e aqui, infelizmente também um sector que é muito importante, que é tudo o que é minas anti-pessoas. Portanto, infelizmente, há uma grande parte do território na Ucrânia que também tem minas anti-pessoais e, portanto,...

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Emmanuel Macron vai tentar "desgastar a União Nacional" até 2027

6/10/2024
Apesar da previsível subida da representação da direita radical e extrema houve uma viragem à direita no Parlamento Europeu. "O número de deputados continua a ser distribuído entre conservadores e socialistas", destaca o filósofo e investigador na Universidade de Lisboa, Diogo Sardinha, lembrando que "os partidos no poder em países como Portugal, Espanha, França ou Alemanha saem penalizados nestas eleições". RFI: A União Nacional de Jordan Bardella venceu as eleições europeias desde domingo com pouco mais de 31% dos votos. Duas vezes mais do que a candidata macronista Valérie Hayer que atinge 14,6% e do líder o Partido Socialista Raphael Glucksmann com 13,8%. Uma derrota que levou Emmanuel Macron a convocar eleições legislativas antecipadas para o final deste mês. Qual é a análise que faz dos resultados das eleições europeias? Diogo Sardinha: Creio que é necessário distinguir os resultados da eleição a nível europeu e os resultados a nível nacional. A nível europeu, não muda muita coisa na estrutura do Parlamento Europeu. Em princípio, há uma faixa da extrema-direita que se alarga, mas o número de deputados continua a ser distribuído entre conservadores e socialistas que, no fundo, vão partilhar os cargos de presidente da Comissão Europeia e presidente do Conselho Europeu. Nesse aspecto, não há grandes mudanças ao contrário do que talvez muita gente esperasse que houvesse uma maré da extrema-direita muito mais forte do que houve. A nível nacional é preciso ver, pelo menos em alguns dos países, como é o caso de Portugal, de Espanha, de França ou da Alemanha, os partidos que estão no poder são penalizados, não ganham as eleições, não são os partidos mais votados. Os três partidos que compõem a coligação que governa a Alemanha neste momento perderam para os conservadores de, no fundo, Angela Merkel, esse conservadorismo de direita democrata cristão. Em Espanha, como em Portugal, não são os partidos que estão no governo que ganham: em Espanha são os conservadores que ganham, quando são os socialistas que estão no governo e em Portugal perde a AD para o Partido Socialista, mas por margens relativamente estreitas. E depois há realmente o caso de França, que é um caso particular. O caso da França, um terramoto político. Dissolver o Parlamento e convocar eleições foi a forma de Emmanuel Macron reconhecer a derrota e dizer aos franceses que ouviu o descontentamento nas urnas. O Presidente procura uma segunda vida, mas esta decisão também pode levar a uma coabitação com a extrema-direita. É uma aposta inesperada, arriscada? Sim, é arriscada. Só o tempo poderá dizer se a solução foi inteligente ou não. Parece-me, e provavelmente já foi dito por algum comentador, que a ideia é a seguinte: em França, os mandatos presidenciais e os mandatos legislativos coincidem em termos de datas. Emmanuel Macron tem duas soluções: a primeira é não fazer nada e não mudar o seu estilo do governo, de qualquer maneira, ele já não pode mudar o estilo do governo porque não tem maioria parlamentar, continua a passar algumas medidas que geram descontentamento com o recurso ao instrumento institucional, que permite não esperar uma maioria parlamentar. Portanto, nos próximos três anos, que é o tempo que ele tem ainda de mandato, a situação degrada-se, degrada-se, degrada-se, degrada-se e, quando houver eleições em 2027, claro que a Marine Le Pen é eleita presidente e claro que a Assembleia Nacional tem uma vaga da extrema-direita. Essa é a pior solução; ele deixa o país em todos os níveis do poder entregue à extrema-direita. A outra solução é fazer uma espécie de coabitação, resta ainda saber se a União Nacional ganha as eleições legislativas ou não, se tem maioria parlamentar ou não. E, obviamente, em governos em situação de coabitação é muito difícil governar. Portanto, isso só pode servir - e penso que esta é a expectativa de Emmanuel Macron - para durante três anos desgastar a União Nacional para que, de alguma forma, quando se chegar a 2027, nem a...

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África e o corpo na exposição "Embodied Narratives"

6/8/2024
"Embodied Narratives" é a exposição colectiva que apresenta o trabalho de um conjunto de artistas contemporâneos africanos sobre o tema do corpo numa projecção associada ao território e ao tempo. Alida Rodrigues; Benigno Mangovo, Cristiano Mangovo; Hennie Meyer; Kébé; Luís Damião; Nelo Teixeira; Osvaldo Ferreira; René Tavares; Saïdou Dicko; Sanjo Lawal, Teresa Kutala Firmino; Uólofe Griot e Vivien Kohler são os artistas que, em ruptura com a "fetichização e hiperestilização do corpo negro", apresentam, na galeria This Is Not a White Cube, um conjunto de trabalhos onde sobressai "a figuração e o retrato como veículos de expressão". A RFI visitou o espaço da galeria This Is Not a White Cube na capital portuguesa. A co-directora artística, Graça Rodrigues, fez a visita guiada à exposição, ajuda-nos a entrar no universo dos artistas presentes na colectiva e começa por explicar como foi pensada a mostra "Embodied Narratives".

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Fim da UE desejado por extrema-direita não seria "um regresso pacífico" à Europa das nações

6/7/2024
O número de eurodeputados de extrema-direita no Parlamento Europeu deve aumentar a partir de 10 de Junho, vindos da maior parte dos 27. Estes populismos foram alimentados durante décadas pelas políticas "declaratórias" de Bruxelas e a falta de um verdadeiro orçamento europeu, como sublinhou o professor universitário Viriato Soromenho Marques em entrevista à RFI. Com um Parlamento Europeu em que o número de eurodeputados de extrema-direita deve aumentar um pouco por todos os 27 Estados-membros da União Europeia após as eleições de dia 09 de Junho, o crescimento do populismo e nacionalismo em Bruxelas tem as suas raízes em problemas de base do projecto europeu como a falta de um orçamento comum e políticas efectivas que cheguem aos mais de 500 milhões de habitantes deste bloco económico e político. Em entrevista à RFI, o académico português Viriato Soromenho Marques considera que a extrema-direita pode vir a tornar-se na segunda força no Parlamento Europeu com o grupo Conservadores e Reformistas Europeus e o grupo Identidade e Democracia a poderem vir a unir-se. "Estas eleições são uma plataforma que muitas vezes permite medir, preparar e incentivar o assalto eleitoral aos governos nacionais. E neste momento temos uma situação em que, do ponto de vista parlamentar, nós temos os partidos populistas e extremistas de direita, organizados fundamentalmente em dois grupos, mas é muito natural que, com o ganho de votos e o ganho de lugares no Parlamento Europeu, estas duas forças se inclinem para uma negociação no sentido da integração, para poderem eventualmente tornar-se na segunda força Parlamento Europeu, com as vantagens que isso tem em termos de gestão do Parlamento", declarou o professor universitário. As causas deste crescimento um pouco por toda a União Europeia estão relacionadas segundo Viriato Soremenho Marques com a incapacidade da Europa promover políticas eficazes, tendo em conta a sua organização interna que não permite a existência de um orçamento comunitário. "Acho que nós temos que fazer um exercício de autocrítica e ver o que é que está mal. Na minha perspectiva, fundamentalmente, é que a União Europeia funciona essencialmente num plano declaratório, num plano retórico com grandes objectivos, que depois não são acompanhados pelo financiamento nem pelos recursos financeiros, nem acompanhados pela coerência. Veja-se, por exemplo, a cumplicidade com o que está a acontecer em Gaza e qual o comportamento do governo irresponsável de Israel", indicou. No entanto, mesmo num cenário político em que a União Europeia fosse dominada por forçar nacionalistas de extrema-direita, pensar que a Europa voltaria facilmente a um sistema de nações é "uma ilusão". "Isso pode acontecer, mas isto não será um regresso pacífico. Eu penso que a grande ilusão dos partidos tradicionais europeus, socialistas, democratas, cristãos e liberais é a ilusão de que uma Europa unida e forte pode ser feita de forma low cost, uma espécie de União Europeia low cost, que é a que temos com 1% do PIB europeu, e que resolvemos o problema. A outra grande ilusão dos novos que estão a chegar, os populistas da extrema direita, é a de que podemos regressar a uma Europa das nações sem ser através de uma trágica fragmentação do que já se construiu na União Europeia. São duas ilusões", afirmou. Apesar de o debate se ter concentrado sobre algumas questões comuns nos 27 como a Defesa, devido à guerra na Ucrânia, as migrações ou o custo de vida, um dos temas que preocupa os europeus e que ficou para trás foi o ambiente. Um esquecimento ligado ao limitado peso económico atribuído ao desenvolvimento sustentável. "Nas alterações climáticas nós temos um grande foco nas questões de energia. Porquê? Porque as questões da energia e da mobilidade são interessantes também para os sectores económicos relacionados com a energia, as empresas da energia e as empresas do sector automóvel. Já outros aspectos fundamentais como a biodiversidade, como por exemplo, a boa gestão...

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“Dia D” representa “união das forças aliadas e democráticas contra a ditadura”

6/6/2024
Os aliados celebram, neste 6 de Junho, os 80 anos do desembarque na Normandia, o "Dia D" decisivo para o início da vitória contra a Alemanha nazi. O aniversário acontece em vésperas de eleições europeias e numa altura em que a guerra assola novamente o continente, desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em Fevereiro de 2022. Excluído das comemorações ficou o Presidente russo, enquanto o chefe de Estado ucraniano é um dos convidados de destaque. O Presidente russo, Vladimir Putin, foi excluído do aniversário dos 80 anos do "Dia D", apesar do papel da Rússia na luta contra o nazismo. Já o chefe de Estado ucraniano,Volodymyr Zelensky, é uma das personalidades em destaque nestas comemorações, ao lado dos presidentes de França, Emmanuel Macron, dos Estados Unidos, Joe Biden, de Itália Sergio Mattarella, do Rei britânico Carlos III, do chanceler alemão, Olaf Scholz, do primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau, entre muitos outros. Que imagem ficará deste encontro nas vésperas de eleições europeias, em ano de eleições nos Estados Unidos e numa altura em que o conflito continua na Ucrânia? Fomos perguntar ao historiador Victor Pereira, para quem o dia representa “a união das forças aliadas e democráticas que se juntaram contra a ditadura”. Nesse caso, ficará a Ucrânia associada às actuais forças democráticas e a Rússia, outrora essencial na guerra contra o nazismo, definitivamente rotulada como autocrática? O que é certo é que “o espectro” de uma nova guerra mundial ensombra as comemorações. RFI: Qual o peso do Dia D, do desembarque de 6 de Junho, para acabar com a ocupação alemã em França e rumar para o fim da II Guerra Mundial? Victor Pereira, Historiador: "Foi um papel fundamental. Obviamente não foi o único. Houve o desembarque das tropas americanas na África do Norte, logo em Novembro de 1942, mas foi o início da presença aliada - americana, inglesa, canadiana, também de alguns franceses - para começar a entrar na Europa. Também houve o desembarque na Sicília [Julho de 1943] e no sul de França [15 de Agosto de 1944], mas foi o início de uma longa batalha, a batalha da Europa contra a Alemanha, que apenas acabou um ano depois. Foram precisos 11 meses ainda para que a Alemanha perdesse e houvesse rendição sem capitulação." Na noite de 6 para 7 de Junho, durante bombardeamentos aliados, houve entre 50.000 a 70.000 vítimas civis, 10.000 só na Normandia. Fala-se suficientemente disto? "Sim. Na Normandia, em todas as praias há cemitérios enormes. Em Caen, que é uma das capitais da antiga Basse-Normandie, há um museu ligado à Segunda Guerra Mundial. É um território mesmo muito ligado a essa memória da guerra. Aliás, o Arquivo em França sobre as vítimas de guerra é em Caen. Há um conhecimento desta zona e, além disso, é um dos pontos que todos os alunos de colégio e liceu conhecem, na disciplina de História. No território francês, como noutros países, há uma memória de pedra da guerra, no sentido em que há monumentos aos mortos em qualquer aldeia com os mortos da Primeira Guerra Mundial, da Segunda Guerra Mundial, da Guerra da Argélia. Acho que isso está bastante presente nas memórias, obviamente talvez não dos mais jovens que não vão saber isso ao pormenor, mas neste território, em qualquer sítio, há um monumento ligado a esses mortos - tantos militares, quanto civis." O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, participa nas comemorações do Dia D, em que estão também o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o presidente italiano, Sergio Mattarella, e o rei britânico Carlos III, por exemplo. Qual é a simbologia destas personalidades juntas? "O dia 6 de Junho é para estes países ocidentais uma data muito importante porque é o início da vitória contra a Alemanha nazi, contra a ditadura nazi, contra uma ditadura que matou, massacrou e cometeu um genocídio. Então, é a união das forças aliadas e democráticas que se juntaram contra a ditadura e o sacrifício de milhares de homens dos Estados Unidos, ingleses, do Canadá, franceses e...

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Campanha das eleições europeias em França está a ser "nacionalizada"

6/5/2024
As eleições europeias em França estão a servir como tubo de ensaio para as presidenciais de 2027, altura em que Emmanuel Macron não se poderá voltar a candidatar e em que a extrema-direita pode subir ao poder. Esta "nacionalização" das eleições está a levar a um desinteresse da população, sobretudo dos mais jovens, como explicou Adeline Afonso em entrevista à RFI. A 9 de Junho, os 27 Estados da União Europeia vão a votos. Em França, um dos maiores países do bloco europeu e também o país mais jovem entre os 27, a extrema-direita de Marine Le Pen, liderada agora por Jordan Bardella, deverá sair vencedora, segundo as sondagens. Já o partido de Emmanuel Macron deverá eleger metade dos eurodeputados da extrema-direita. A participação e o potencial interesse dos jovens nestas eleições é uma das maiores interrogações, mas Adeline Afonso, investigadora de Estudos Europeus na Sorbonne, considera que em França a campanha tem sido instrumentalizada para a política interna. "Na faixa etária mais jovem já não se acredita assim tanto na actual classe política e também no próprio sistema democrático. Então isso leva os jovens a não terem aquele interesse de ir votar para tentar mudar as coisas. E isso também vai talvez explicar a taxa de abstenção, sobretudo nas faixas etárias mais jovens. Mas o interesse pela pelo tema da Europa existe. Eu acho que nesta campanha actual em França há ali uma espécie de instrumentalização destas eleições para fins de política interna", declarou. Defesa, migrações e poder de compra são os temas que marcam esta eleição em França, mas acabam por ser discutidas nos vários debates já organizados nas rádios e televisões nacionais mais ao nível gaulês do que nas perspectiva europeia. "Sobre a questão do poder de compra, a verdade é que se pode fazer legislação a nível europeu que vai ter impacto no poder de compra dos franceses e em geral, dos europeus. Agora, aquilo que eu acho que é preocupante é que durante as eleições europeias se aproveite também para, de alguma forma, nacionaliza-las. Ou seja, durante o debate entre o actual primeiro ministro, Gabriel Attal, e o actual cabeça de lista do Rassemblement National que é o Jordan Bardella eles acabaram por atacar-se um ao outro sobre questões de política interna, em vez de abordar as questões mais europeias", disse a investigadora. Largamente na frente das sondagens, estima-se que o partido de extrema-direita Rassemblement National tenha cerca de 32% dos votos, enquanto que o partido de Emmanuel Macron, que tem como cabeça de lista Valerie Hayer, se fique pelos 14%. A seguir será a lista de esquerda de Raphael Glucksman, seguida depois pela extrema-esquerda com 9%, os Republicanos de centro-direita com 7,5% e os escologistas com cerca de 5%. "Se formos ver, em comparação com os resultados de 2019, o emblema nacional em França já tinha ficado em primeiro lugar. Eu acho que eles vão ter muito mais deputados do que em 2019. Tendo em conta as actuais sondagens em comparação com o partido do Presidente. E sim, se formos a ver no contexto mais global europeu, creio que também em outros países, não só em França, a extrema direita tem tendência, de alguma forma, a atrair bastante o voto nas eleições europeias", explicou Adeline Afonso. A França, que elege 81 deputados, pode assim mandar quase 30 eurodeputados de extrema-direita pa Bruxelas, um recorde para o partido de Marine Le Pen. Isto pode fortalecer a imagem do novo líder da extrema-direita, Jordan Bardella, mas também enfraquecer externamente a imagem da França já que estes eurodeputados vão contribuir para um possível bloqueio do Parlamento e das restantes instituições europeias. "A nível de consequências, a primeira consequência eu acho que se o resultado for assim muito bom para o Rassemblement National isso vai ter um grande impacto positivo na figura do Jordan Bardella que poderá de facto ser escolhido como potencial candidato a presidente em 2027. O facto de a França ter uma grande delegação de...

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Cimeira “marca afirmação da política africana” da Coreia do Sul

6/4/2024
A primeira cimeira Coreia/África decorre esta terça e quarta-feira, em Seul, na Coreia do Sul, com delegações de 48 países africanos. O Presidente sul-coreano prometeu milhões de dólares em ajuda ao desenvolvimento e em incentivos ao investimento. A cimeira é também um “acto de soft power”, descreve Álvaro Nóbrega, professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa. “O Futuro que Construímos: Crescimento Partilhado, Sustentabilidade e Solidariedade” é o lema do encontro em cuja abertura o Presidente sul-coreano comprometeu-se em duplicar a ajuda pública ao desenvolvimento em África para chegar aos 10 mil milhões de dólares em 2030 e também prometeu 14 mil milhões de dólares de financiamento em exportações para ajudar as empresas sul-coreanas a expandir o comércio e os seus investimentos no continente africano. À semelhança de outras cimeiras, o encontro Coreia-África “é um acto de soft power” em que o país anfitrião procura alargar a sua influência num continente hoje reconhecido pelas potencialidades de investimento e pela abundância de riquezas minerais, explica Álvaro Nóbrega, professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa. Se até agora a presença sul-coreana em África era discreta, com destaque para a África do Sul, a cimeira “marca uma afirmação da Coreia do Sul e da sua política africana”. A Coreia do Sul visa, nomeadamente, recursos minerais como o cobalto, a platina ou o lítio que são essenciais para sectores tecnológicos de ponta, desde o fabrico de veículos eléctricos, à indústria da Defesa. Tanto é que o Presidente sul-coreano admitiu, em entrevista à AFP, que a Coreia do Sul “é uma potência industrial de alta tecnologia, mas depende fortemente das importações no que toca a 95% das suas necessidades em minerais”. Nesse sentido, Álvaro Nóbrega aponta que o primeiro objectivo da cimeira de Seul é “garantir o aprovisionamento de matérias minerais que são essenciais para a economia sul-coreana e para a transição para a chamada economia verde”. O que é bom para a economia, é bom para o ambiente e a sustentabilidade local? “Os investimentos são importantes. Claro que quando associamos as áreas extractivas aos investimentos, vemos sempre que eles poderão ser predatórios, mas se esses apoios forem bem acolhidos e bem aplicados, naturalmente que se revertem progressivamente para as populações. Se, pelo contrário, forem desaproveitados, não chegarão às populações e, portanto, a questão da distribuição é fundamental”. Álvaro Nóbrega elenca um segundo objectivo da cimeira Coreia/África que “é retirar apoios ao vizinho do lado, à Coreia do Norte, que contou tradicionalmente com uma boa ligação com alguns países africanos, especialmente durante o período da Guerra Fria e no tempo que se seguiu e que tem vindo de alguma maneira perder essa ligação”. O encontro junta chefes de Estado e de governo de 48 países africanos, nomeadamente os Presidentes de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Angola é representada pelo secretário de Estado das Relações Exteriores. O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, participa no fórum de negócios Coreia-África e, à margem da cimeira, tem um encontro bilateral com o seu homólogo Yoon Suk Yeol, assim como com executivos de empresas sul-coreanas. Moçambique tem já um investimento sul-coreano da empresa Kogas, que detém 10% no consórcio de pesquisa de gás natural da Área 4 do Rovuma. A Samsung Heavy Industry anunciou, esta segunda-feira, que prevê arrancar com a construção da segunda plataforma flutuante para a extracção de gás natural liquefeito no terceiro trimestre deste ano, depois de já ter instalado uma primeira infra-estrutura. Mas até que ponto a segurança em Cabo Delgado permite estes investimentos, quando a francesa TotalEnergies suspendeu as operações de construção da unidade de processamento de GNL em Cabo Delgado e ainda não retomou os trabalhos? Para Álvaro Nóbrega, os investimentos sul-coreanos mostram que...

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Eleição de Claudia Sheinbaum é “momento histórico” no México

6/3/2024
O México elegeu, pela primeira vez, uma mulher para dirigir o país. Este é um “momento histórico” num país marcado pela violência baseada no género, onde, por exemplo, no ano passado, 10 mulheres foram assassinadas diariamente. Claudia Sheinbaum, cientista climática que fez parte do painel que venceu um Nobel em 2007, tem também como desafios o combate contra a violência do crime organizado, a luta contra a pobreza e o desenvolvimento económico e sustentável do país. Claudia Sheinbaum foi eleita a primeira mulher Presidente do México, onde, de acordo com a ONU, 10 mulheres foram assassinadas diariamente em 2023. Há um ano, a ex-governadora da Cidade do México dizia que “México já não se escreve com M de machismo (…), escreve-se com M de mãe e de mulher” e agora promete ajudar as mulheres a “viverem sem medo”. Além do combate contra a violência baseada no género, outro dos seus desafios é lutar contra a violência do crime organizado que, desde 2006, fez 450.000 mortos e 100.000 desaparecidos. Claudia Sheinbaum herda o projecto do seu mentor e líder cessante, Andrés Manuel López Obrador, que se empenhou na luta contra as desigualdades sociais, num país onde um terço da população ainda vive na pobreza. López Obrador distribuiu milhões em ajuda directa a idosos, jovens e pessoas com deficiência, e tirou 8,9 milhões de pessoas da pobreza. Cientista e investigadora nas áreas da energia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, Claudia Sheinbaum fez parte do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2007. O que representa a sua vitória e que perspectivas se abrem para o México? Fomos perguntar a Pedro Abrantes, professor de sociologia na Universidade Aberta de Lisboa, que viveu vários anos no México, onde fez investigação e deu aulas. "É uma eleição histórica" RFI: O que representa esta vitória esmagadora de Claudia Sheinbaum nas eleições presidenciais do México? Pedro Abrantes, Professor de Sociologia: “É uma eleição histórica, primeiro pela eleição de uma mulher. No México, de facto, os presidentes têm historicamente um poder bastante grande porque são, de certa forma, presidentes e primeiro-ministros ao mesmo tempo e nunca tinha ocorrido ser uma mulher. Além disso, é uma académica, portanto, dedicada à investigação científica na maior universidade pública do país e uma das maiores do mundo. Efectivamente, corresponde a um novo perfil que nunca esteve na Presidência do México e que também representa a mudança que tem atravessado a sociedade mexicana.” Há um ano, ela dizia que “o México já não se escreve com M de machismo (…), escreve-se com M de mãe e de mulher”. No entanto, o México é um dos países com recordes de feminicídios. Dez mulheres são assassinadas diariamente, segundo a ONU. Esta eleição pode mudar alguma coisa? “Sim, Eu penso que, do ponto de vista da afirmação das mulheres é realmente um momento histórico. Por outro lado, o grande problema que tem hoje o México tem a ver com a violência - e aí realmente as mulheres estão mais expostas - mas não afecta só as mulheres. O México tem um problema gravíssimo relativamente ao crime organizado que, em muitos casos, não se vê como é que vai ser possível desmontar e combater nos próximos anos de uma forma eficaz. Embora seja verdade que a Presidente tem uma estratégia relativamente ao combate à pobreza, estamos a falar de grupos que já alcançaram um nível de organização tão grande que realmente será muito difícil de desmantelar.” Falou na questão da violência. A guerra contra os cartéis, lançada já pela direita em 2006, continua a fazer mais de 30.000 mortos por ano. Como é que se pode lutar contra esta violência tão enraizada do crime organizado no México? “Este novo movimento, do qual a Claudia Sheinbaum faz parte, já no último sexénio esteve na Presidência e procurou desenvolver uma estratégia que tem mais a ver com a criação de oportunidades para que, sobretudo nos sectores mais pobres da população, seja...

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PALOP e 25 de Abril na programação do Festival Internacional de Cinema IndieLisboa

6/1/2024
O Festival de Cinema IndieLisboa chega ao fim este domingo. Com 250 filmes distribuídos por várias secções, a 21.ª edição do festival regista um recorde de 26 películas portuguesas em competição. A par das diferentes secções competitivas e não competitivas, o IndieLisboa apresentou duas grandes retrospectivas: Uma dedicada ao artista visual e realizador palestiniano Kamal Aljafari e outra dedicada ao MFA. No ano em que se celebram 50 anos do 25 de Abril, a retrospectiva é uma homenagem às Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do Movimento das Forças Armadas (MFA). Uma das novidades da edição deste ano é a secção Rizoma. Aqui é apresentado "um conjunto de obras que destacam questões relevantes da actualidade, cineastas de renome e antestreias." Um programa "em torno do cinema como entretenimento, reflexão e debate," onde, por exemplo, as co-produções entre Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Brasil e França ganham espaço.

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Ucrânia: "Campanha mediática para obscurecer frente de batalha"

5/31/2024
França, Alemanha e Estados Unidos autorizaram a Ucrânia a utilizar o armamento francês, alemão e norte-americano contra alvos militares em território russo. O Major-General na reforma, Carlos Branco, lembra que estamos perante "uma campanha mediática que visa obscurecer o que está a ocorrer na frente de batalha", isto é, "a derrota progressiva das forças ucraniana". RFI: Qual é o alcance desta autorização dada por França, Alemanha e os Estados Unidos, pode ter impacto no decurso da guerra? Carlos Branco: A resposta a essa pergunta tem de ser analisada de várias perspectivas: Em primeiro lugar, perceber que, desde o início da guerra, o armamento fornecido pelas potências ocidentais à Ucrânia tem sido utilizado a atacar a Rússia e, portanto, há várias situações em que isso tem ocorrido e têm sido públicas. E isso, de certa forma, é uma prática que tem sido utilizada desde há uns tempos a esta parte, eu diria quase desde o início da guerra. Portanto, não há um grande elemento de inovação. O que nós estamos aqui a enfrentar é fundamentalmente uma campanha mediática que visa, de certa forma, obscurecer o que está a ocorrer na frente de batalha, que é a derrota progressiva das forças ucranianas, que se encontram numa dificuldade cada vez maior. Quando estamos a falar deste equipamento, estamos a falar fundamentalmente de equipamento, dado o seu alcance, que tem impacto táctico na conduta das operações. Há aqui outro elemento que nós temos que introduzir neste debate que se prende com a guerra psicológica. O Ocidente começa a entrar numa situação de grande ansiedade com o que poderá decorrer desta guerra no domínio estratégico, que passa fundamentalmente por uma derrota que se poderá traduzir numa humilhação, sobretudo se aquilo que o Presidente Putin tem vindo a falar se concretizar, ou seja, não se falar apenas do congelamento da situação táctica ou de um armistício ou de um congelamento das operações, mas no desenho de uma nova arquitectura de segurança e defesa Na Europa. E perante esta situação de grande desconformidade no Ocidente, surgem algumas soluções que e alguns discursos que me parecem pouco adequado. Que soluções são essas? O caso da França que fala em enviar tropas para a Ucrânia, que numa primeira fase serão apenas instrutores, mas que poderão rapidamente evoluir com uma intenção directa que é alterar e afectar o desenvolvimento da situação táctica e depois operacional. Há países que já disseram claramente que estão disponíveis para isso. Estamos a falar da Polónia e estamos a falar dos Bálticos, embora os bálticos não tenham capacidade militar e não sejam relevantes neste processo. Ou seja, tem uma voz muito grossa, mas aquilo não é consequente. Já não se pode dizer a mesma coisa da Polónia. A probabilidade de esses países, meramente a França e a Polónia, participarem com forças na Ucrânia. Isso pode nos conduzir a um resultado que nós não sabemos qual é. Aliás, eu gostava de recordar que no Vietname as forças americanas começaram também exactamente com os formadores e depois, a partir do momento em que os formadores começam a cair e a voltarem em sacos de plástico pretos. Depois, a seguir, há sempre aquela questão da humilhação que as grandes potências têm e depois não moderam a forma do seu empenho nas operações, que é sempre a tentativa de escalar. Portanto, essa possibilidade existe. Nós estamos a ter um debate desfocado, descentralizado, porque quando se trata de utilização de equipamento ocidental na Rússia, nós temos que distinguir entre aquele equipamento que tem sido utilizado até agora. Vai continuar a ser utilizado e daqui não há nada novo. Não há notícia que o presidente Biden tenha impedido a utilização, por exemplo, dos Excalibur, dos HIMARS, dos HARM. Estamos a falar de quê, precisamente? Estamos a falar de mísseis. Estou a falar concretamente dos americanos porque tem sido utilizado fora das fronteiras da Ucrânia até agora. Por exemplo, os AGM-88 HARM, que é um equipamento fundamentalmente...

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Eleições europeias: "Ajudar a Ucrânia é defendermo-nos contra a Rússia"

5/30/2024
As eleições para o Parlamento Europeu decorrem na próxima semana, do 6 ao 9 de Junho, num contexto geopolítico sem precedentes: A guerra nas fronteiras da União Europeia, um aliado americano instável, tensões no Médio Oriente que ameaçam a economia mundial. O especialista em questões de segurança ligado Universidade Lusíada em Lisboa, José Manuel Anes, espera que "estas eleições não ponham em perigo a unidade europeia para que a UE possa continuar a apoiar a Ucrânia". RFI: Todos os cinco anos, os eleitores europeus são chamados às urnas para escolher os membros do Parlamento Europeu. A votação tem um impacto directo na política da União Europeia durante a próxima legislatura. As eleições europeias determinam o lugar da Europa e da União Europeia no mundo. O que é que estas eleições podem vir a mudar na questão de defesa e de segurança da União Europeia? José Manuel Anes: Tenho receio que estas eleições possam vir a mudar a situação europeia num sentido negativo. Porque há toda uma direita radical e populista que anda para aí com avanços. Não é? Nem toda ela é perigosa porque, por exemplo, no caso da Itália, a Giorgia Meloni, primeira-ministra é completamente diferente do senhor Salvini. O Salvini é próximo de Putin, da Rússia de Putin e de Giorgia Meloni, tem uma aproximação à Europa, à NATO e também à Ucrânia. Portanto, há dois universos que curiosamente estão aliados. Não sei porquê, são de facto diferentes. Portanto, eu tenho receio é que essa direita radical e populista, por exemplo, lamento dizer, mas a senhora Marine Le Pen, na verdade ela tem uma posição agora, é dúbia, mas aqui há poucos tempos não era nada dúbia, era claramente uma aliada de Putin. Ora bem, e isto é que eu lamento, porque a Europa não pode correr riscos. Saúdo vivamente Macron porque tem tido alguma força para aguentar estas investidas de uma direita radical e populista. A subida da extrema-direita de que fala ou o risco do crescimento destes partidos de extrema-direita na União Europeia pode comprometer as relações geopolíticas tal como as conhecemos hoje? De facto, pode ir. Pode haver uma fractura dentro da Europa e seria a coisa pior que podia haver. Já temos realmente sinais de fractura. Veja se o caso da Hungria. O Viktor Orban é um homem que toda a simpatia vai para os russos e vai para o Putin e põe em causa essa unidade, essa convergência que é desejável na Europa. Portanto, há sinais completamente perigosos e preocupantes. Portanto, eu creio que, e faço votos para que estas eleições não ponham em risco essa unidade europeia que tem sido muito importante para apoiarmos a Ucrânia, porque a Ucrânia não pode perder a guerra se a Ucrânia perder a guerra, é a Europa que perde. E, de facto, nós estamos em risco porque a Rússia de Putin não vai parar por ali de modo algum. A defesa e a segurança são matérias internas dos Estados, mas a Cooperação estruturada permanente é uma questão em análise no seio da União Europeia. No momento em que a Europa vive uma guerra há mais de dois anos, faz sentido a União Europeia criar uma estrutura de defesa comum, um Exército europeu, como defendeu Emmanuel Macron, o Presidente francês? Eu sou partidário dessa ideia. É evidente que isso custa dinheiro. Diziam aqui há uns anos, quando se começou a levantar essa ideia de que para nós termos dinheiro para esta questão social e o Estado social europeu, depois temos que desviar para a defesa. Mas eu acho que pode haver soluções intermédias e naturalmente, contamos sempre para além de uma capacidade própria da Europa a nível de defesa e segurança, podemos comparar também com os Estados Unidos da América e esperemos que Joe Biden ganhe as próximas eleições. Serão será uma desgraça, uma desgraça para os Estados Unidos e para a Europa e para o mundo. Precisamente sobre as eleições presidenciais norte americanas, marcadas para o final deste ano, em Novembro, existe um perigo de uma eventual reeleição de Donald Trump provocar o fim da unidade europeia e haver mudanças...

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Eleições Europeias: Os Desafios económicos da Europa

5/29/2024
As eleições europeias de 2024 decorrem num contexto económico marcado pelas consequências da pandemia de Covid-19 e pelas tensões geopolíticas. Os europeus são chamados às urnas, nos dias 8 e 9 de Junho, para eleger os representantes no Parlamento Europeu, que vão desempenhar um papel fundamental na definição das políticas económicas e financeiras da UE para os próximos cinco anos. Avelino Jesus, economista português, considera que o tema económico mais central na União Europeia é a estagnação da produtividade, uma situação que se deve ao facto de o Mercado Único Europeu ainda não estar completo. RFI: O tema económico mais central na União Europeia é a estagnação da produtividade e a perda de terreno em relação a outros grandes blocos económicos, nomeadamente os Estados Unidos. Mario Draghi, o antigo primeiro-ministro italiano, está a preparar um relatório sobre a competitividade europeia e que será divulgado logo a seguir às eleições. Como é que a Europa pode recuperar competitividade e impulsionar o crescimento? Avelino Jesus, economista: A União Europeia evoluiu rapidamente com a construção do Mercado Único Europeu, dando origem ao euro. Só que em resultado do êxito do Mercado Único, nos últimos anos, muitas pessoas consideraram que estava tudo feito, mas este mercado está incompleto, sobretudo na área dos serviços. Hoje em dia, as economias são muito economias de serviços. A parte agrícola e a parte industrial têm vindo a perder peso, o que é perfeitamente normal e não vai haver com certeza a recuperação desse ponto de vista, mas não há nada de mal que as economias evoluem no sentido de um maior peso dos serviços. Só que o mercado único na área dos serviços está incompleto. Mas o que falta para o completar? Fazer-se aquilo que se fez na área da agricultura e na área da produção industrial. Na área dos serviços não há liberdade de circulação e de prestação de serviços. Este tema deixou de estar na ordem do dia, do meu ponto de vista, erroneamente. Houve um debate, aí há uns dez anos, no sentido de acelerar o Mercado Único Europeu na área dos serviços, mas devido a conflitos particulares de alguns países, nomeadamente no caso da França - que se opôs de forma veemente ao alargamento do mercado único aos serviços - o tema deixou de estar em cima da mesa. Actualmente, com a perda de competitividade da União Europeia, penso ser prioritário que esse assunto regresse para cima da mesa. A União Europeia deve concentrar-se ainda em dar um novo impulso ao comércio internacional, tornar-se líder no crescimento verde, colocar a Europa na vanguarda da revolução tecnológica e da inteligência artificial. O Velho Continente ainda vai a tempo de se impor nesta corrida tecnológica? Sim, penso que sim. Aquilo que precisa de ser feito é completar o Mercado Único Europeu na área dos serviços, liberalizando mais as economias internas, forçar os países que são mais burocráticos, como o caso português e o grego, a abrirem mais as suas economias e a liberalizar as suas relações às relações internas. Se fizermos isso, esses objectivos vão realizar-se efetivamente. Eu julgo que mais do que definir objectivos grandiosos, como estes que referiu, é preferível não ser tão ambicioso e tomar medidas concretas que levem à sua realização. Para não correr o risco de a frustração ser maior, levando as pessoas a deixarem de acreditar na definição de objectivos dessa natureza. O grande desafio para os eurodeputados será o de influenciar as políticas industriais que visam aumentar a produtividade na Europa. Tem estado a ganhar força o argumento das intervenções estatais e de um certo proteccionismo. Considera que este é o passo certo? Eu julgo que é um passo errado. Há certas pessoas que consideram que a União Europeia deve ser mais proteccionista face aos países fora da Europa, como é o caso da China e dos Estados Unidos. Porém, julgo que se trata de uma medida errónea, porque todos vamos perder pontos se optarmos por políticas proteccionistas face...

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"Comunidade internacional é cúmplice com o que está a acontecer na Guiné-Bissau"

5/28/2024
Os nove activistas detidos no passado dia 18 de Maio, durante o protesto da "Frente Popular», foram postos em liberdade nesta segunda-feira sob termo de identidade e residência, por ordem do Tribunal Regional de Bissau, depois de terem sido ouvidos durante mais de sete horas pelo Ministério Público. Luís Vaz Martins, advogado de defesa dos activistas, afirma que vão processar o Estado por sequestro e acusa a comunidade internacional de ser cúmplice com o está a acontecer na Guiné-Bissau. Os nove actvistas foram colocados em liberdade, mas com medidas de coação. Que restrições são essas? Saíram com termo de Identidade e residência. Ou seja, se eles tiveram que mudar de morada, ou se tiverem de sair do país, têm de informar o Ministério Público. Todavia, a meu ver, a audiência no Ministério Público não fez sentido, uma vez que já existia uma decisão judicial, transitada em julgado, a ordenar a libertação [dos nove activistas]. Se alguém tinha de ser ouvido, devia ser o secretário de Estado de Ordem Pública e o ministro do Interior, por terem incorrido num crime de desobediência agravada, obstrução da actividade jurisdicional e sequestro. Tratou-se de mais uma técnica do regime para mostrar que, efectivamente, os nove actvivistas teriam estado numa situação de incumprimento de alguma lei, o que nunca aconteceu. Isto porque a liberdade de manifestação é uma liberdade consagrada na Constituição e não requer a autorização de quem quer que seja. Mas de que é que são acusados estes activistas? Estas medidas de coacção baseiam-se em quê? Ninguém entende as coisas deste país. Todo o mundo sabe que os tribunais também foram sequestrados pelo regime. Todavia, desta vez, o juiz teve coragem de fazer o que estava certo, decretando a libertação [dos nove actvistas]. E é nessa base que- com ordens vindas de fontes superiores- queriam fazer algum espectáculo em torno da coisa e foram inventar aquela audiência [no Ministério Público] que só acabou por volta das 18h00. São aqueles processos comprometidos para nunca andar, mas para mostrar a alguém que a privação de liberdade teria algum suporte legal. O senhor lidera a equipa de advogados que representa os nove activistas. Pensam avançar com alguma acção contra as autoridades guineenses? Vamos acusar o Estado de crime de sequestro. Alguém tentou vender uma retórica em torno da detenção, mas aquilo que aconteceu não preenche nenhum dos requisitos para que se efectue uma detenção. Isto que significa que os 9 activistas foram privados da sua liberdade, durante dez dias, sem qualquer suporte legal e com a agravante de ter havido tortura. Eles foram severamente torturados. A privação de liberdade sem suporte legal é tortura. São crimes suportados pela agenda internacional, concretamente pela Organização Mundial Contra a Tortura. É nesta base que acreditamos que, sendo um crime contra a humanidade, devem ser responsabilizados [os autores destes crimes]. Independentemente de se entrar com uma queixa contra o Estado da Guiné-Bissau, os mandantes daquele acto de tortura devem ser responsabilizados. Estamos a trabalhar no sentido de cumprir essa agenda. O Presidente Umaro Sissoko Embaló acusa os activistas de promoverem manifestações "encomendadas no país". Considera que existe a possibilidade de estar a haver ingerência externa no país? Esta retórica já velha e já ninguém a compra. Umaro Sissoco Embaló não acredita que as pessoas possam pensar com as respectivas cabeças, que possam agir de forma livre. Esta situação não foi encomendada. Estamos a falar de uma iniciativa da sociedade civil, de cidadãos livres e conscientes, confrontadas que o assalto às instituições da República, mais concretamente o golpe de Estado institucional que se deu na Assembleia da República, com a agravante de já ter sido verificado também golpe no próprio Supremo Tribunal de Justiça. Hoje nós não temos um poder judicial independente. A esta situação junta-se os agravantes ligados à fome, à falta de assistência...

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África do Sul: "As pessoas perderam a esperança no ANC"

5/27/2024
A África do Sul vai a votos na próxima quarta-feira, 29 de Maio. As sondagens indicam que o Congresso Nacional Africano (ANC), no poder desde 1994, irá perder a maioria absoluta no parlamento. José Gama, jornalista angolano baseado em Pretória, sublinha que as desigualdades sociais, injustiças económicas e a corrupção acabaram por desacreditar o ANC. A África do Sul vai a votos na próxima quarta-feira, 29 de Maio. 27,6 milhões de eleitores são chamados às urnas para escolher 400 deputados, que irão posteriormente designar o próximo presidente do país. Cerca de cinquenta partidos estão na corrida legislativa. As sondagens indicam que o ANC, o Congresso Nacional Africano, no poder desde as primeiras eleições democráticas em 1994, irá perder a maioria absoluta no parlamento, obtendo entre 40 a 46% da votação. A comprovar-se, o partido de Nelson Mandela vai ser obrigado a formar alianças para se manter no poder. Pela primeira vez em trinta anos, a África do Sul vai a eleições com uma população maioritariamente jovem sem memória do apartheid. Se entre os eleitores mais velhos a divisão entre a lealdade ao ANC e as actuais preocupações do país existe, nos mais novos é o desemprego endémico, a violência e insegurança, a escassez de água e electricidade e a corrupção que são alguns dos factores que podem ditar o sentido de voto na próxima quarta-feira. José Gama, jornalista angolano baseado em Pretória, sublinha que as desigualdades sociais, injustiças económicas e a corrupção acabaram por desacreditar o ANC. RFI: O que é que está em jogo neste sufrágio? José Gama, jornalista angolano baseado em Pretória: As sondagens apontam que, pela primeira vez, o ANC perde a sua maioria parlamentar, com uma percentagem inferior a 45%. A África do Sul está no sistema democrático desde 1994. As pessoas foram depositando confiança no ANC para ver se corrigia as desigualdades sociais aconteciam no regime do apartheid. E este fenómeno não aconteceu. Então, as pessoas agora aguardam a eleição de uma nova força que possa ajudar a pôr fim a essas desigualdades sociais, às desigualdades económicas, às injustiças também económicas nas comunidades de brancos e negros. Aguardam, também, [explicações] para um novo fenómeno que a África do Sul está a observar, que são os chamados apagões, que o ANC não tem sabido explicar às pessoas, de facto, o que é que falta. As pessoas perderam a esperança, algumas, no ANC, mas ao mesmo tempo ainda têm aquelas que olham para o ANC por conta dos valores de luta, dos valores militares também, que ainda acarretam aos dias de hoje. O ANC consegue adoptar um discurso para fazer lembrar o papel que desempenhou para libertar o país. E há pessoas que ouvem isso, uma espécie de chantagem, e fazem recuo, dando ainda um voto de confiança no ANC. Esta perda de popularidade do ANC deve-se a quê? Primeiro, a sociologia eleitoral da África do Sul alterou-se. De 1994 até aos dias de hoje, temos uma nova geração de jovens que não se revêem no ANC. Não conhecem, não sentiram a luta do ANC. Depois, a África do Sul tem uma taxa de desemprego na ordem dos 36%. Quase 60% da juventude está desempregada, logo nunca vão votar naquele que não está a ajudar a empregar ou a conseguir o emprego. Vão votando e se inclinando para as novas forças políticas, como é o caso do EFF de Julius de Malema. A criminalidade na África do Sul aumentou. O Governo até hoje não consegue pôr cobro a esta prática, porque ela também está associada às taxas altas de desemprego e outros, é a disparidade social entre os brancos e os negros, com os brancos a prosperarem mais e muitos negros a viverem em condições vulneráveis nas localidades rurais.Outro fenómeno é a corrupção. Desde que o ANC chegou ao poder que a corrupção se tem estado a tornar mais grave. Nós já tivemos aqui, em 2021, as eleições municipais em que o ANC passou para a oposição no governo local. A corrupção é feita nos municípios e os eleitores preferiram dar o seu voto aos partidos da...

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Zia Soares: Pérola Sem Rapariga "é um dos melhores espectáculos que fiz"

5/26/2024
Pérola Sem Rapariga é a primeira de duas criações que formam o díptico que resulta do encontro entre a encenadora Zia Soares e a escritora Djaimilia Pereira de Almeida. Pérola Sem Rapariga inspira-se na leitura de "Voyage of the Sable Venus and Other Poems", de Robin Coste Lewis, e no arquivo fotográfico de Alberto Hensche, que fotografou várias pessoas escravizadas no Brasil. Uma das condições acordadas entre Zia Soares e Djaimilia Pereira de Almeida para a criação do espectáculo foi que "não haveria texto pré-escrito". Depois de um périplo por diferentes cidades portuguesas, Pérola Sem Rapariga tem a última das apresentações no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, este domingo. Nos bastidores do CCB, a RFI falou com Zia Soares. O processo criativo de Pérola Sem Rapariga, o papel dos diferentes intervenientes na criação da peça e da actualidade desta, os projectos futuros com a Companhia Teatro Griot, ou que envolvem a Guiné Bissau, foram alguns dos temas da conversa com a encenadora. Pérola Sem Rapariga integra o Ciclo Abril Abriu, uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II. O espectáculo está integrado na programação comemorativa dos 50 anos do 25 Abril. Ficha Técnica Texto: Djaimilia Pereira de Almeida Direcção e encenação: Zia Soares Interpretação: Filipa Bossuet, Sara Fonseca da Graça Artista visual: Kiluanji Kia Henda Instalação e figurinos: Neusa Trovoada Design de iluminação: Carolina Caramelo Música e design de som: Xullaji Assistência à encenação de movimento: Lucília Raimundo Vídeo promocional: António Castelo Assistência geral: Aoaní d’Alva Co-produção Sowing_arts, Teatro Nacional D. Maria II, no contexto da apap - FEMINIST FUTURES (projecto co-financiado pelo programa Europa Criativa da União Europeia) Parceria Abril Abriu Centro Cultural de Belém Apoio Casa da Dança, Polo Cultural Gaivotas Boavista.

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Plataforma cultural moçambicana apresentada em Paris

5/24/2024
A plataforma digital moçambicana “Nuibrava Cultura” foi apresentada durante a Semana Africana na Unesco, em Paris, de 22 a 24 de Maio. O projecto de gestão e promoção da cultura moçambicana e africana pretende dinamizar a circulação de arte e cultura africanas e contribuir para a criação de um fundo africano para as artes. Foi na Semana Africana na Unesco, em Paris, que Moçambique apresentou a plataforma digital “Nuibrava Cultura”. Trata-se de um projecto de gestão e promoção da cultura africana que permite, por exemplo, comprar obras de arte e solicitar serviços artísticos e culturais. O objectivo é, também, dinamizar a circulação de arte e cultura africanas e contribuir para a criação de um fundo africano para as artes. A Nuibrava Cultura é presidida por Nuno Vazir Ibrahimo que explicou à RFI, na UNESCO, em que consiste o projecto. RFI: O que é esta plataforma “Nuibrava Cultura”? Nuno Vazir Ibrahimo, Presidente da “Nuibrava Cultura”: "Esta plataforma visa fazer a gestão e promoção da cultura não só moçambicana, mas também africana. Ela visa mapear a cultura, as etnias e os povos africanos congregados em uma única base de dados e cruzar muita informação." O objectivo também passa por criar um fundo africano para os artistas? Exacto, para a gestão cultural a todos os níveis, onde todos os fazedores das artes e de culturas possam depositar lá as suas ideias e seus projectos e possam ter um impacto directo no PIB africano. A ideia é termos um fundo a este nível. Segundo a União Europeia, a cultura contribui somente para 1,5% do PIB africano. Com esta iniciativa nós pretendemos fazer chegar a 6,5% até 10%. O fundo poderá ser a contribuição dos estados-membros africanos em alguma percentagem. É o mesmo fundo a fazer a gestão e a promoção de iniciativas de jovens, de mulheres, até de pessoas analfabetas, e promover as boas práticas ambientais, culturais. Até agora, o que é que fizeram? Quantos artistas, artesãos, pessoas do mundo da arte estão implicados neste momento na plataforma? O que nós viemos fazer [a Paris] foi a oficialização da plataforma nesta catedral que é a UNESCO. Foi o melhor sítio que nós tivemos para o fazer. Depois, segue para a União Africana porque o governo de Moçambique já tem conhecimento da mesma. Ela já tem alguns artistas e está a fazer o cadastro ainda ao nível do Moçambique. Nós viemos para estes corredores, onde estão outros países africanos a expor, e é aqui que nós estamos a convidá-los para fazer parte deste mega evento que é esta plataforma. E como funciona? Se eu sou um galerista, posso comprar um quadro? Sim, pode comprar, está lá disponível. Por exemplo, você está aqui em Paris e quer comprar uma obra de Moçambique. Pode fazê-lo nesta nossa plataforma e temos acordos com a DHL África através de Moçambique. Fizemos a conexão com as DHL em África e a empresa de logística que está mais bem assente em África. Outras hão-de vir mais à frente. Depois, é pago na plataforma através do e-commerce e o artista disponibiliza o material após o recebimento, também por via de plataformas digitais de pagamento. O objectivo é também evitar contrabandos e negócios “paralelos”? Não é só evitar, mas também consciencializar todos os que vamos operar nesta plataforma. É preciso defender os direitos de autor. Nós viemos aqui, à UNESCO, a casa do Direito. O nosso guião está aqui. Nós queremos valorizar a nossa cultura africana. Existe muito contrabando de material africano e a não contabilização disto para o PIB africano. Não existe nada que quantifique e esta plataforma vai quantificar. Mas há algumas galerias reconhecidas, em Angola por exemplo, que conseguem exportar artistas africanos. Qual vai ser a diferença? Bem, eu penso que Angola só está a exportar, mas não está a quantificar. Eu penso que Angola não está a trazer um contributo e quantificação para a sua economia, no meu entender, porque quando a gente fala exportar, qual é o agregar de valor que essa obra traz? Nós rastreamos o material até ao...

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Anésio Manhiça expõe urgência ambiental na UNESCO

5/23/2024
A urgência ambiental contaminou a arte contemporânea em Moçambique através da fotografia de Anésio Manhiça. As suas imagens extrapolam fronteiras e o “etnofotógrafo” tem levado esta causa a outros espaços de reflexão e de acção. Desta vez, entre 22 a 24 de Maio, Anésio Manhiça expõe na Semana Africana na UNESCO, em Paris. O fotógrafo, etnógrafo, “etnofotógrafo”, antropólogo, ambientalista e artista moçambicano Anésio Manhiça representa Moçambique na Semana Africana na Unesco, em Paris, ao lado da plataforma digital de arte Nuibrava Cultura. A RFI falou com o jovem de 32 anos que expõe cinco obras fotográficas das séries “As vidas do saco plástico” e “Simbiose”, nas quais mostra como a poluição já faz parte das paisagens. Na primeira, o fotógrafo mostra como o saco de plástico pode ter novas vidas graças à reciclagem, enquanto na segunda sublinha “como o social ou o capital acaba dominando o natural”. “Propus uma mistura entre a primeira exposição que fiz, 'As vidas do saco plástico' com a actual exposição 'Simbiose' que é para continuar e mostrar que, como africanos, estamos a pensar no clima, estamos preocupados, estamos a reflectir e que a arte da fotografia é um desses eixos pelo qual temos reflectido sobre estas temáticas”, afirmou o artista à RFI. Representar Moçambique na Semana Africana na UNESCO tem um peso simbólico e é “uma grande responsabilidade”, admite o fotógrafo. A ideia foi falar sobre educação ambiental, cruzando fotografia, arte contemporânea, educação e ambiente. “Representar Moçambique na UNESCO é realmente uma grande responsabilidade, mas, acima de tudo, é um sinal de que a minha fotografia está a ganhar uma visibilidade mais do que nacional. Sabemos muito bem que, em termos fotográficos, geralmente África tem sido marcada por fotografias que revelam muitos processos de tradição, da religião. Agora, trazemos algo que é diferente, que propõe uma participação de África neste debate global [da ecologia]. Entre as imagens expostas estão “likoroxo do puto”, que mostra o pé de uma criança a brincar com uma bola de futebol feita com sacos de plástico e outros lixos. Há, ainda, “Acácias Molhadas” que mostram um plástico amarelo a flutuar em cima de uma vala de drenagem, e “Sobrenatural”, uma imagem em tons bastante mais escuros e azulados, que mostra um saco de plástico descartado num dia de chuva. São três imagens capturadas na rua, com uma câmara de telemóvel, para mostrar instantes de poluição que se tornaram recorrentes em cidades de todo o mundo. As outras duas imagens são oriundas de uma série fotografada em estúdio e com máquina profissional. Na primeira, aparece em grande plano um círculo estilhaçado a remeter para uma lente fotográfica quebrada ou para um copo partido, mas, na verdade, é uma garrafa de plástico de um refrigerante usado em Moçambique para conservar sal. Ao lado, outra imagem mostra um corpo em posição fetal, rodeado de tampas coloridas de garrafas. O objectivo é declaradamente crítico. “Aqui já estou a migrar para um outro tipo de conversa. Nestas duas imagens, eu já quero fazer uma crítica. Há as multinacionais, as empresas que poluem por plástico e aqui estamos a falar de empresas de refrigerantes. A ideia é mostrar que estas multinacionais estão a impor-nos o uso destes materiais. Na outra, estamos a ver um corpo, uma pessoa. A ideia é mostrar que sempre consumimos plástico e que o primeiro contacto que temos com o plástico é ainda no ventre porque vamos consumindo os microplásticos de diferentes formas, em diferentes comidas, às vezes, na água”, acrescenta Anésio Manhiça. O artista acrescenta que a fotografia sozinha não chega para despertar consciências, mas ajuda. Por isso, ele tem acompanhado as exposições de debates com os espectadores a propósito das ameaças e danos humanos sobre o meio ambiente. Anésio Manhiça define-se, acima de tudo, como “defensor do clima” antes de admitir ser fotógrafo, antropólogo e etnógrafo. O seu objectivo é “gerar um movimento em Moçambique de...

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Noruega, Irlanda e Espanha comprometem-se a reconhecer um Estado da Palestina

5/22/2024
A Noruega, Irlanda e Espanha comprometem-se a reconhecer um Estado da Palestina. "Para além do efeito simbólico, este reconhecimento vai ter um efeito prático porque outros país se vão juntar a estes país", acredita o vice-presidente do observatório do Mundo Islâmico e investigador na Universidade Autónoma de Lisboa, João Henriques. RFI: A Noruega, Irlanda e Espanha comprometem-se a reconhecer um Estado da Palestina. O reconhecimento de um Estado palestiniano tem uma forte conotação simbólica. Mas também tem significados políticos e pode levar a medidas concretas. João Henriques: Sim, na verdade, este reconhecimento oficial por parte da Noruega, de Espanha e da Irlanda é a materialização daquilo que já há muito tempo tem vindo a ser noticiado e até proposto pelas classes políticas dentro de cada um destes países. Isto vai ter, para além do efeito simbólico, um efeito prático porque na sequência deste reconhecimento, estou certo que outros Estados europeus e não só europeus, mas sobretudo os europeus ocidentais, vão avançar, também eles, para o reconhecimento do Estado independente da Palestina. Será que outros países se vão juntar a Espanha, a Noruega e a Irlanda? A França admitiu no início do ano, através do seu Presidente, que não há tabus em relação ao reconhecimento do Estado da Palestina. Sim, dentro de outros Estados, isso é matéria de análise, de discussão e vai ter que passar pelos parlamentos de cada um desses países e certamente também em relação a Portugal. O que é que isto significa? Durante as últimas décadas não houve o reconhecimento do Estado da Palestina. Muitos países não fizeram. O que é que mudou agora? O 7 de Outubro terá agitado as consciências e o comportamento do Estado de Israel relativamente à população palestiniana. Mas na verdade esta tem sido uma reacção desproporcionada por parte de Israel e que vai configurando até o que já muitos analistas disseram e eu próprio já o referi isto configura um verdadeiro genocídio da população palestiniana. E esta tomada de consciência de que Israel não está a fazer tudo aquilo que devia, vai alertando estas tais consciências e os países vão se perfilando numa óptica de um efectivo reconhecimento do Estado da Palestina. Para Israel, os planos de reconhecer um Estado palestiniano sem uma solução negociada constituem uma “recompensa” para o Hamas pelo seu ataque de 7 de Outubro a partir da Faixa de Gaza em território israelita. Como é que interpreta esta declaração? Naturalmente que o Hamas iria aproveitar esta decisão ou este alinhamento com o Estado da Palestina para dizer que é o resultado da sua luta contra o Estado sionista. Mas, mais do que isso, é o reconhecimento internacional de que tem que haver conversações. Elas têm tido lugar em diferentes cenários, particularmente no Qatar e até no Egipto, mas não têm resultado em nada porque nenhuma das partes cede. Portanto, Israel diz que as propostas apresentadas pelo Hamas são bizarras, são ridículas mesmo. A comunidade internacional não está com isto a reconhecer a tarefa, a missão do Hamas, está sim, orientada a lançar o foco sobre o que tem acontecido à população palestiniana e que não pára, independentemente de haver reparos inócuos por parte dos Estados Unidos, por parte da administração Biden. Ainda ontem referiu, em diferentes intervenções, sobretudo no espaço universitário, que os Estados Unidos estão absolutamente do lado de Israel, olhando para o lado, quando, na verdade, o que está a acontecer à população palestiniana não tem nada a ver com a luta contra o Hamas. Porque essa luta que Israel iniciou a partir do dia não do dia sete, mas do dia 8 de Outubro, é uma luta legítima e uma acção legítima. Mas os chamados efeitos colaterais são absolutamente desproporcionados. A Jordânia saudou a decisão destes países de reconhecerem o Estado da Palestina, afirmando que se trata de um passo importante e essencial para a solução de dois Estados. Este reconhecimento internacional pode mudar alguma coisa no...

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