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Ciencia - A ciencia a dar cartas em lingua portuguesa

RFI

Uma vez por semana, os temas que marcam a actualidade científica são aqui descodificados.

Location:

Paris, France

Networks:

RFI

Description:

Uma vez por semana, os temas que marcam a actualidade científica são aqui descodificados.

Language:

Portuguese


Episodes
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Mangais de Angola: Ecossistemas de carbono azul e “berçários da vida marinha”

6/10/2024
Os mangais são “berçários da vida marinha, fontes de subsistência das comunidades e ecossistemas de carbono azul”, por isso, é urgente mais educação ambiental para os proteger. Quem o diz é Danilson Lunguenda, Director de Gestão de Projectos da Otchiva, a iniciativa que tem protegido e restaurado mangais em Angola nos últimos seis anos. No Dia Mundial dos Oceanos, a 8 de Junho, 500 pessoas juntaram-se, incluindo 300 crianças, e plantaram 23.000 sementes de mangais. RFI: No Dia Mundial dos Oceanos, houve uma participação recorde de pessoas para uma campanha de reflorestação. Quantas pessoas participaram e como foi? Danilson Lunguenda, Director de Gestão de Projectos da Otchiva: Em alusão ao Dia Mundial dos Oceanos, assinalado a 8 de Junho, participaram mais de 500 pessoas, incluindo 300 crianças. Nós temos uma série de actividades, como a observação das aves migratórias, neste caso, de flamingos porque aqui é conhecido como o santuário das aves migratórias na comunidade do Tapo. Além disso, realizámos uma campanha de plantação de mangais com mais de 23.000 sementes de mangais plantadas, envolvendo as crianças, as comunidades, os pais e todos os voluntários que naquele dia participaram na causa. Qual é que é a importância dos mangais para os oceanos? Os mangais são conhecidos como berçários de maternidade da vida marinha. Cerca de 80% a 90% das espécies de interesse comercial, especialmente nas zonas tropicais, reproduzem-se nos mangais ou passam um estado de vida nos mangais. Não há como falar dos oceanos sem falar dos mangais porque então interligados. Reflorestando os mangais, estaremos também a proteger os nossos oceanos. Há quem diga que os mangais são “ecossistemas de carbono azul” e essenciais para o combate às mudanças climáticas. Porquê? Exactamente. Hoje em dia, o mundo está a acordar para os impactos das alterações climáticas e uma das maneiras de absorver esse carbono é através de ecossistemas naturais, como florestas e oceanos. No caso terrestre, as florestas, estamos a falar do” carbono verde”, que já é muito conhecido. Hoje em dia também se está a falar do “carbono azul” que é o carbono sequestrado por ecossistemas marinhos e costeiros. No caso dos mangais, são ecossistemas costeiros e são conhecidos por absorver 10 vezes mais dióxido de carbono quando comparados com outras florestas, o que torna estes ecossistemas importantes no combate às alterações climáticas. Há ainda outros benefícios ecológicos e económicos. Quer falar-nos deles? Os mangais também são considerados habitats para várias espécies. Lá tem muitas espécies de aves migratórias, tem crustáceos, tem os peixes, tem também mamíferos. Além disso, os mangais protegem a orla costeira contra erosões e inundações, protegendo dessa maneira as comunidades que vivem no seu entorno. Quanto a benefícios económicos, como eu disse, os mangais são habitats para várias espécies, como caranguejos e moluscos e essa biodiversidade marinha garante a sustentabilidade económica das comunidades locais. Também dão suporte e protecção às espécies em risco de extinção, como manatins, tartarugas, algumas aves… Exactamente. Por exemplo, durante uma das nossas campanhas de monitorização ambiental, havia uma ave que estava presa numa rede de pesca e nós quando soltámos essa ave, numa das anilhas estava escrito Londres. Era um garajau, que é uma ave ameaçada, e é sinal que nos nossos mangais aqui da nossa costa também repousam aves migratórias, além de outros mamíferos, como os manatins que vão para os mangais para se alimentarem, e alguns usam como refúgio. No entanto, os mangais, nomeadamente em Angola, sofrem várias ameaças e riscos. Quais são eles? Exactamente. Apesar da importância dos mangais como berçário da vida marinha, como fonte de renda e subsistência das comunidades e como ecossistema do carbono azul, os mangais têm enfrentado várias ameaças. Em Angola, há o corte da vegetação do mangal. Muitas comunidades cortam os mangais para construir casas, tarimbas....

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“Mulheres, Literatura e Natureza”, as mulheres na construção de uma sociedade mais sustentável

6/3/2024
Decorre esta semana o evento “Mulheres, Literatura e Natureza”, um encontro promovido pela Business as Nature e a editora Exclamação. O colóquio insere-se no Movimento das Mulheres pelo Clima da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e tem como objectivo destacar o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais inclusiva e sustentável. Decorre esta semana o evento “Mulheres, Literatura e Natureza”, um encontro promovido pela Business as Nature e a editora Exclamação. O colóquio insere-se no Movimento das Mulheres pelo Clima da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e tem como objectivo destacar o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais inclusiva e sustentável. Susana Viseu, presidente da organização não-governamental Business as Nature, defende que este evento serve para trazer para a linha da frente “a intervenção das mulheres nas diferentes áreas da sociedade e aqui também nas causas de conservação da natureza". RFI: “Mulheres, Literatura e Natureza”, que evento é este? Susana Viseu, presidente da Business as Nature:Este é um evento que vamos realizar no dia 05 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, em Lisboa e, depois, vamos repetir no Porto, no dia 07 de Junho. Em Lisboa, vamos realizá-lo na Biblioteca do Palácio das Galveias e o objectivo é envolver mulheres que têm diferentes actividades, quer seja na literatura e na importância da literatura e dos movimentos artísticos naquilo que é a conservação da natureza e nas questões do activismo ambiental e climático e, também, as questões do empoderamento feminino e da importância das mulheres na liderança. Daí, termos um painel em que vai ser lançado um livro de uma mulher indígena, Eva Potiguara, da tribo das Potiguara, mulheres indígenas da Amazónia, que reflecte a luta na autodeterminação da mulher indígena e, portanto, também aquilo que foi a luta deste grupo de activistas na floresta amazónica contra a exploração do petróleo e a sobreexploração da floresta. Depois, vamos ter um painel dedicado à Rede das Guardiãs da Natureza, um projecto que a Business as Nature lançou no ano passado, em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e com o apoio do Fundo Ambiental, e que se desenrolou de norte a sul do país, em várias áreas protegidas. Vamos trazer mulheres-guardiãs de diferentes áreas protegidas em Portugal, desde o litoral norte de Esposende, a Ria Formosa, o Estuário do Sado, o Vale do Guadiana, a Serra da Estrela pelo Brasil, Dunas de São Jacinto e Montesinho. Portanto, umas mulheres vão intervir no evento na região norte e outras vão intervir no evento em Lisboa. Teremos também um painel ligado à literatura. A literatura como cimento cultural das minorias, em que pretendemos trazer a importância da escrita nesta defesa do património cultural. Neste caso, por exemplo, na região norte, vamos trazer a língua e a cultura mirandesa, mas também a cultura de minorias, como uma advogada de cultura e etnia cigana, como vários representantes de minorias, que também através da manifestação cultural e em especial da literatura, trazem para a praça pública aquilo que são as preocupações e o respeito pelos seus valores culturais. Temos também um painel de mulheres na liderança de empresas e dos desafios que estão relacionados com os indicadores de sustentabilidade (Environmental, Social and Governance). Que cada vez mais são uma exigência europeia dos balanços não financeiros por parte das empresas. Vamos também ter um painel de mulheres líderes empresariais para discutir este tema. Por fim, vamos ter uma tertúlia, uma conversa descomprometida sobre os desafios das políticas ambientais para a próxima década, trazendo diferentes gerações, diferentes visões sobre aquilo que são as políticas ambientais, para podermos projectar os próximos tempos em termos das questões de ambiente, alterações climáticas, conservação da natureza, etc. Terminamos em beleza, com o momento musical, com uma banda relacionada com o Brasil, com as...

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Em África "quando se fala em Clean Cooking, fala-se de mulher"

5/28/2024
Um terço da população mundial confecciona os alimentos com recurso a fogões rudimentares. Quatro em cada cinco pessoas em África utilizam fogões abertos e tradicionais a combustíveis poluentes, como carvão e lenha. A falta de acesso a uma confecção limpa de alimentos tem consequências na saúde, educação, clima e também na igualdade de género. A activista Graça Machel defendeu, em Paris, que as mulheres devem ser parte activa destas políticas e não meras receptoras ou beneficiárias. Actualmente, um terço da população mundial confecciona os seus alimentos com recurso a fogões rudimentares. Quatro em cada cinco pessoas em África utilizam fogões abertos e tradicionais que funcionam a combustíveis poluentes, como carvão e lenha. A falta de acesso a uma cozinha limpa é a segunda maior causa de morte prematura em África, afectando principalmente mulheres e crianças de África subsaariana. Meio milhão de crianças e mulheres morrem prematuramente por ano em África por falta de acesso a energias limpas para cozinhar. Em África, por dia, em média, meninas e mulheres perdem duas horas para recuperar combustível, como carvão ou lenha, e três horas para confeccionar a comida, a situação afasta-as da escola, das perspectivas de futuro, e coloca-as em posições de grande vulnerabilidade a ataques e violações. Numa tentativa de colocar a Clean Cooking na agenda climática, a Agência Internacional de Energia promoveu em Paris, a meio deste mês de Maio, uma cimeira alusiva ao tema, onde foram arrecadados mais de 2,2 mil milhões de dólares em promessas de financiamento. A falta de acesso a uma confecção limpa de alimentos tem consequências para a saúde, educação, para o clima e também para a igualdade de género. A participar no encontro esteve activista Graça Machel que defendeu, em Paris, que as mulheres devem ser parte activa destas políticas e não meras receptoras ou beneficiárias. A mulher de Nelson Mandela, e antes do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, lembrou que no “continente africano, quando se fala em cozinha, fala-se de mulher. São as mulheres que cozinham.” É preciso olhar para a magnitude do problema que estamos a falar e, se o objectivo é 2030, a atribuição de recursos deve corresponder à magnitude do problema. É possível atingir esse objectivo em seis anos. Gostaria de sublinhar o facto de estarmos a falar de cozinha limpa, Clean Cooking. Por isso, todos têm de ter em mente quem cozinha. E, nestas discussões ouvimos falar de política, de sector privado... Mas o meu ponto principal são as próprias mulheres. Sim, precisamos de políticas e do sector privado, mas precisamos de reforçar a capacidade das próprias mulheres para que não se tornem meras receptoras, mas que participem activamente e absorvam as tecnologias que são necessárias. Portanto, uma perspectiva de género no desenvolvimento e na atribuição de recursos a nível global. Depois, passamos ao nível nacional. Nós, como mulheres africanas, estamos a colocar em cima da mesa a consideração de que queremos ser investidoras, empresárias, gestoras e queremos ser, obviamente, as clientes, aquelas que utilizam a tecnologia. Por isso, qualquer política de qualquer governo tem de ter o rosto das mulheres na construção da capacidade de resposta. Mais uma vez, tendo em conta a magnitude do problema, somos milhões de mulheres em cada um dos nossos países. Não podemos ser vistas como marginais, porque nem governo nem o sector privado serão bem-sucedidos sem nós. Para sermos bem-sucedidos, temos de incluir as próprias mulheres nestas diferentes categorias, em toda a cadeia de valor, para que as mulheres participem activamente. Clean Cooking, cozinhar com recurso a energias limpas, é essencialmente sobre mulheres, mulheres africanas, a maioria delas residentes em zonas urbanas, que são pobres e não podem pagar, outras nas zonas rurais que são ainda mais pobres. Alberto Maverengue Augusto, embaixador de Moçambique em França, sublinhou tratar-se de um tema...

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CIIMAR lidera projecto para recuperar jardins de corais no Mediterrâneo

5/21/2024
Recuperar jardins de corais no Mediterrâneo impactados pelas mudanças climáticas antropogénicas é o objectivo do investigador Jean-Baptiste Ledoux, do CIIMAR, que acaba de arrecadar financiamento para dois projectos de conservação e restauro de corais mediterrânicos com impacto na conservação de todo o ecossistema. Desde 2015 que, quase anualmente, o Mar Mediterrâneo é fustigado com ondas de calor marinhas. Recuperar jardins de corais no Mar Mediterrâneo impactados pelas mudanças climáticas antropogénicas é o objectivo do investigador Jean-Baptiste Ledoux, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, (CIIMAR, em Matosinhos, Portugal) que acaba de arrecadar financiamento para dois projectos de conservação e restauro de corais mediterrânicos com impacto na conservação de todo o ecossistema. Os projectos BUFFER e RED-COR2, financiados pela Pure Ocean Foundation e a Biodiversity Genomics Europe, têm como principal recurso de trabalho a genética populacional para promover soluções baseadas na natureza. Jean-Baptiste Ledoux, investigador da equipa de Genómica Evolutiva e Bioinformática do CIIMAR, lidera os dois projectos. Em entrevista à RFI, Jean-Baptiste Ledoux sublinha que ambos vão permitir efeitos positivos para a conservação dos ecossistemas marinhos e permitirão recuperar habitats perdidos e conservar os existentes. Segundo Jean-Baptiste Ledoux, o projecto RED-COR2 está focado no coral vermelho (Corallium rubrum) e tem o apoio da Biodiversity Genomics Europe: Este primeiro projecto tem duas partes, uma que passa por caracterizar a diversidade e a estrutura genética do coral vermelho à escala do Mediterrâneo inteiro e também do sul de Portugal. A outra parte é focada em duas áreas marinhas protegidas na costa da Catalunha. O coral vermelho é uma espécie que está submetida a grandes pressões antropogénicas. É pescada e usada em joalharia e é uma espécie que está submetida a eventos de ondas de calor marinha que têm por consequência eventos de mortalidade massiva. O segundo projecto é o BUFFER e está focado na Gorgónia Vermelha, na área marinha protegida do Parque Nacional de Calanques, em Marselha, sul de França, onde, em 2022, houve um grande evento de mortalidade massiva e com consequências dramáticas para esta espécie. As duas espécies são vítimas das ondas de calor marinhas, cuja frequência é cada vez maior desde 2015.

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Promessas de 2.2 mil milhões de dólares para Clean Cooking em África

5/14/2024
Decorre esta terça-feira, 14 de Maio, em Paris, a Cimeira Clean Cooking in Africa, cozinhar com recurso a energias limpas em África. Logo no arranque do encontro, governos e sector privado avançaram com promessas de financiamento que totalizam os 2.2 mil milhões de dólares para a transição energética da confecção alimentar no continente africano, actualmente dependente de combustíveis como carvão e lenha. A cimeira organizada pela Agência Internacional de Energia, realizada na sede da Unesco em Paris, reúne mais de 1.000 delegados de quase 60 países. Em cima da mesa, estão os impactos na saúde e no clima da utilização de fogueiras abertas e fogões tradicionais. Além disso, discutem-se igualmente as diferentes possibilidades de transição energética. A questão da “culinária limpa” tem ficado de fora das agendas climáticas. Quatro em cada cinco pessoas africanas ainda confeccionam as suas refeições em fogões abertos e tradicionais, com recurso a combustíveis poluentes, como o carvão ou a lenha. A Agência Internacional de Energia defende que 2024 deve ser o ponto de viragem para a confecção limpa de alimentos em África. A falta de acesso a uma confecção limpa de alimentos tem consequências para a saúde, para o clima e também para a igualdade de género. Quase meio milhão de mulheres e crianças morrem prematuramente em África, por ano, pela falta de acesso a uma culinária limpa. A Agência Internacional da Energia defende que para resolver este problema em África, até 2030, custa apenas 4 mil milhões de dólares de investimento anual. A participar neste evento está Evandro Gussi, presidente da União brasileira da Indústria da Cana de Açúcar e Bioenergia (UNICA). Ao microfone da RFI, Evandro Gussi explicou de que forma a experiência brasileira pode ser transferida para África e lembra que “a produção de bioenergia sustentável, sem desmatamento e sem competição com a alimentação, pode trazer para a África os mesmos ganhos que nós experimentamos no Brasil” e servir de alavanca “transformadora” para o continente africano. RFI: Qual é a contribuição da UNICA para esta cimeira? Evandro Gussi, presidente da União brasileira da Indústria da Cana de Açúcar e Bioenergia (UNICA): Todas as vezes que se pensa sobre transição energética, nós dependemos de inúmeras soluções e a UNICA, representando o Brasil nessa oportunidade, mostra a grande contribuição que o Brasil fez no desenvolvimento de uma cadeia eficiente e sustentável de bioenergia nesses últimos 40 anos, especialmente a partir do etanol, em suas várias formas de utilização. Porque é que o bioetanol é melhor que o carvão e que a madeira? O etanol tem praticamente zero de emissão dos chamados materiais particulados, que são uma das maiores causas em termos de saúde pública, de câncer e outras muitas doenças a partir do sistema respiratório cardiovascular. Então, o etanol na mobilidade ou em qualquer tipo de uso, como por exemplo no Clean Cooking, ele oferece praticamente zero de material particulado, sem falar numa redução muito expressiva de CO2 e a inexistência de fuligem ou outros tipos de materiais e de emissões de poluentes que são danosos à saúde humana. Como é que esta transferência de conhecimento entre Brasil e África pode ser feita? O Brasil e a África têm muitas similaridades. O continente africano e o Brasil são geograficamente bastante próximos em termos de características de solo, de exposição solar, sobretudo, que são determinantes para um cultivo de biomassa produzido e utilizado de maneira sustentável. Existem muitas regiões africanas que são semelhantes às regiões agrícolas brasileiras e que podem experimentar a replicabilidade do modelo que a gente viveu no Brasil. Nós entendemos também que o que aconteceu no Brasil é a produção de bioenergia sustentável, ou seja, sem desmatamento e sem competição com alimento, pode trazer para a África os mesmos ganhos que nós experimentamos no Brasil. Ao lado das questões ambientais, nós temos uma questão socioeconómica...

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Guiné-Bissau: incluir as comunidades locais para proteger o meio ambiente

5/6/2024
Na Guiné-Bissau, realiza-se a 6 e 7 de Maio o anual Diálogo Nacional sobre a Protecção do Ambiente, com a participação de diversos actores, desde especialistas a decisores políticos e chefes de aldeia. Um dos objectivos prende-se com a abertura do diálogo para outros sectores, como a pesca, a agricultura ou o turismo, que beneficiam da protecção do ambiente. Os temas em discussão neste Diálogo Nacional sobre a Protecção do Ambiente incidem sobre o papel das comunidades na conservação das áreas protegidas, os novos "corredores de conectividade", ou ainda, os principais efeitos das mudanças climáticas no país, tais como a subida do nível do mar. Aissa Regalla de Barros, directora do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP), começou por explicar a estratégia da Guiné-Bissau para cumprir o objectivo do Quadro Global da Biodiversidade e atingir 30% de áreas protegidas em território nacional. Existem na Guiné Bissau oito áreas protegidas e uma áerea marinha protegida em colaboração com as comunidades locais e o apoio de ONG's. Para além disso, o país implementou os "corredores de conectividade", um novo modelo que permite a ligação entre as diferentes zonas protegidas. Assim, os animais e as espécies em vias de extinção podem circular entre as diferentes áreas. Vários níveis de protecção das áreas naturais e participação activa dos habitantes Existem vários níveis de protecção. O primeiro é o "nível de protecção integral". Depois vem a "zona tampão", onde as regras são mais flexíveis para as comunidades locais. Por fim, as "zonas de desenvolvimento" permitem acções de desenvolvimento comunitário. Os habitantes participam no processo de identificação destas zonas e no comité de gestão. Este é um órgão que toma decisões em relação à gestão e aos regulamentos da área protegida. As comunidades participam ainda em diversas acções como o patrulhamento ou a monitorização da biodiversidade, juntamente com as forças de segurança nacional, relata ainda Aissa de Barros. Estas acções, quando integradas a longo prazo, são remuneradas. "É uma forma de fazer com que os habitantes se apropriem as acções de conservação", explica a directora do IBAP. Ao acompanharem os investigadores e os técnicos, os habitantes "ganham também elevada compreensão das razões da necessidade de conservação da biodiversidade, como as tartarugas, ou os chimpanzés". Abrir o diálogo para outros sectores: pesca, agricultura e turismo Um dos principais propósitos deste Diálogo Nacional, segundo Aissa de Barros, é estender o diálogo a outros ministérios. Incluir os sectores da pesca, da agricultura, da exploração dos recursos naturais e do turismo, "e que as questões ambientais não concernem apenas o ministro do ambiente". A Guiné-Bissau, "país altamente vulnerável devido ao aquecimento global", depara-se com um grande desafio: a subida do nível do mar. A erosão das zonas costeiras já é visível pelas próprias comunidades. Uma das soluções passa pela protecção dos mangais, uma barreira natural contra a subida do nível do mar. Os habitantes participam então na restauração destes sistemas naturais e "os resultados já começam a ser visíveis", ainda segundo Aissa de Barros. Discutiu-se ainda a importância da candidatura do Arquipélago dos Bijagós ao Património Mundial da Unesco, nomeadamente devido ao seu papel essencial nas migrações dos animais (aves, tartarugas) que, provenientes do mundo inteiro, cruzam as ilhas do arquipélago a caminho de outros horizontes. A decisão será conhecida em meados de 2025, depois de uma missão de avaliação.

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Resíduos eléctricos e electrónicos aumentam 82% em relação a 2010

4/30/2024
Num mundo cada vez mais industrializado e consumista, continuam a ser colocados no mercado produtos que não são sustentáveis do ponto de vista ambiental. Em 2022 foram produzidos 62 milhões de toneladas de resíduos eléctricos e electrónicos, destas apenas 13,8 milhões de toneladas foram alvo de recolha e de reciclagem adequada. Num mundo cada vez mais industrializado e consumista, continuam a ser colocados no mercado produtos que não são sustentáveis do ponto de vista ambiental. O último Registo Global de Resíduos Eléctricos e Electrónicos 2024 confirma um aumento de 82% de Resíduos eléctricos e electrónicos em relação a 2010, o que representa um aumento anual de 2,3 milhões de toneladas. Em 2022 foram produzidos 62 milhões de toneladas de resíduos eléctricos e electrónicos, destas apenas 13,8 milhões de toneladas foram alvo de recolha e de reciclagem adequada. Rui Berkemeier, engenheiro do ambiente e colaborador da ONG ambientalista portuguesa ZERO (na área dos resíduos), sublinha que em todo o mundo a gestão destes resíduos, altamente poluentes, continua a ser insuficiente: Continua a haver um aumento brutal do consumo de todos os recursos do planeta e o consumo para equipamentos eléctricos e electrónicos tem essa agravante que consome matérias escassas, minerais escassos e metais escassos em grande quantidade. Depois a gestão dos resíduos gera também impactos ambientais tremendos quando é mal gerido, o que acontece na maior parte dos casos, até mesmo na Europa.

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Guiné-Bissau apostada na protecção dos mares

4/19/2024
A protecção dos oceanos é um tema candente à escala planetária e tem estado no centro de uma série de reuniões internacionais. É o caso da nona conferência alusiva "O nosso oceano" da semana passada na Grécia. A Guiné-Bissau fez-se representar pelo ministro do ambiente, biodiversidade e acção climática Viriato Cassamá. Viriato Cassamá, ministro guineense do ambiente, biodiversidade e acção climática conta-nos quais as dinâmicas em curso em prol da protecção dos mares. "É uma iniciativa global que visa preservar os oceanos. Porque os oceanos constituem um recurso inestimável para todo o mundo e a forma como os recursos naturais têm estado a ser explorados e a forma como os oceanos têm estado a ser utilizados preocupa o mundo. Nesse sentido, houve várias conferências internacionais sobre os oceanos e este anos estamos a realizar a 9 Conferência Internacional sobre os Oceanos. Acho que é muito importante para todos os países costeiros e países insulares que se envolvam com muita força nesta iniciativa global, porque os nossos recursos marinhos devem ser protegidos, devem ser conservados e devem ser geridos de forma a poder servir não só a nossa geração como também a geração futura." Precisamente em Atenas marcaram presença uma série de personalidades de primeiro plano também da lusofonia. Ulisses Correia e Silva, enfatizou o facto de mais de 99% do território de Cabo Verde ser composto por mar. O primeiro-ministro cabo-verdiano afirmou aí estar empenhado em que o país se posicione como um líder na economia azul, estabelecendo metas ambiciosas para a transição energética, gestão da água e desenvolvimento sustentável, envolvendo activamente o sector privado. Por seu lado o seu homólogo são-tomense Patrice Trovoada enfatizava o facto de a sobrepesca, a poluição transoceânica e o impacto ambiental das actividades da marinha mercantil serem alguns dos desafios significativos que o arquipélago equatorial enfrenta. Timor Leste, através do seu chefe do executivo, Xanana Gusmão, salientou, por seu lado, que o país asiático tem uma biodiversidade marinha rica com “75% das espécies de corais existentes no mundo". Vamos ver, então, como é que a Guiné-Bissau se posiciona quanto a estas questões. De novo com Viriato Cassamá, ministro guineense do ambiente que interveio em dois debates em Atenas, um deles do PRCM, o Programa Regional Costeiro Marinho, que engloba desde a Mauritânia até à Serra Leoa. "A minha intervenção vai no sentido de mostrar o que é que a Guiné-Bissau tem na manga para cumprir o objectivo 30 30 do Quadro Global da Biodiversidade. Neste momento temos 26,3% do nosso território nacional, como as áreas protegidas, e é a meta 30 30 diz que até 2030, todos os países partes da convenção devem ter pelo menos 30% do seu território nacional como áreas protegidas. E nós neste momento já contamos com 26,3% e dentre esses 26,3%, 12,6 são áreas marinhas protegidas e 13,7 são áreas protegidas terrestres. E dentro dessas áreas protegidas terrestres, a Guiné-Bissau conta com uma cobertura florestal de 10% do Mangal e entre esses 10%, 29% da floresta do Mangal encontra-se dentro dessas áreas protegidas. E nós sabemos que temos os desafios a enfrentar relativamente ao atingimento desta meta 30 30 Mas o país tem implementado diversas iniciativas, que posso citar.E no mês de fevereiro último nós entregámos a nossa candidatura ou então a candidatura do arquipélago dos Bijagós como Património Natural Mundial da UNESCO." Tinha vindo aqui a Paris para o efeito. "Exacto. E esta acção visa proteger e preservar um dos ecossistemas mais ricos e diversos do país. Uma outra acção que temos estado a empreender é a criação de um santuário ecológico ao redor de algumas ilhas do arquipélago dos Bijagós, cobrindo 0,26% do território nacional. E esta acção também visa proteger as espécies vulneráveis e seus habitats. Por exemplo, as tartarugas marinhas. Uma terceira acção que a Guiné-Bissau tem estado a empreender é a criação da Segunda...

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Doença renal crónica na Guiné-Bissau tem vindo a aumentar

4/10/2024
A doença renal crónica na Guiné-Bissau tem vindo a aumentar, essencialmente provocada pela hipertensão e diabetes. Em 2023 foram registados 135 pacientes. No Hospital Nacional Simão Mendes está, em fase de preparação, uma unidade de hemodiálise, entretanto os doentes são enviado para o Senegal ou para Portugal. Fidalgo Raul Ferreira sublinha que a “doença renal é muito silenciosa” e, por causa disso, o paciente só se apercebe “quando está numa fase muito avançada". A doença renal crónica na Guiné-Bissau tem vindo a aumentar, essencialmente provocada pela hipertensão e diabetes. Em 2023 foram registados 135 pacientes. No Hospital Nacional Simão Mendes está, em fase de preparação, uma unidade de hemodiálise, mas enquanto se aguarda o início do funcionamento os doentes renais crónicos são enviado para tratamento para o Senegal, a custas do próprio, ou para Portugal, no âmbito de um protocolo entre os dois países. Fidalgo Raul Ferreira, médico nefrologista no Hospital Simão Mendes, sublinha que a “doença renal é muito silenciosa” e, por causa disso, o paciente só se apercebe da doença “quando está numa fase muito avançada, onde o paciente está muito pálido, anémico, começa a ter edemas nos membros inferiores e superiores, náuseas, cansaço e pode até convulsionar. Mas, é uma doença assintomática no início.” O especialista acrescenta que faltam aos guineenses hábitos de saúde: Aqui os pacientes só fazem um check-up só quando têm sintomas, não têm hábitos de ir ao médico para fazer um check-up, um controlo. É uma questão de hábito. Não temos o hábito de ir ao hospital para fazer um check-up, para saber qual é o problema, para corrigir desde o início, para evitar a doença. A gente tem o hábito de ir ao hospital só quando tem uma febre ou quando tem um outro tipo de doença. Mas, normalmente, a cada ano, temos que fazer um check-up para saber se temos um problema e corrigir desde o início, evitando a doença. Como na Guiné-Bissau não se realizam sessões de hemodiálise, os doentes com insuficiência renal que precisam de hemodiálise são enviados ora para o Senegal, Dacar ou Ziguinchor, ora para Portugal. Não temos o serviço de hemodiálise ainda a funcionar e estamos a diligenciar para que isso funcione o mais rápido possível, mas até então não temos o serviço de hemodiálise para os pacientes iniciarem a hemodiálise. Já estão a preparar o local e posso dizer que já está quase. Estamos à espera de uma triagem. Um paciente com doença renal crónica só pode fazer hemodiálise, é a única solução. E hemodiálise é três vezes por semana. Se transferimos o paciente para Ziguinchor ou para Dacar é o paciente é paga. Mas se é transferido para Portugal, no âmbito da junta médica, não paga nada, porque é a cooperação que temos com Portugal. Questionado sobre os hábitos que devemos ter para evitar a doença renal, Fidalgo Raul Ferreira é peremptório: Evitar muito sal, hidratar sempre, beber muita água, sempre. Temos que aferir a pressão arterial, fazer uma dosagem de creatinina e exames de urina e medir a glicose. É importante também fazer exercício físico, que é extremamente importante para manter um peso saudável, sabemos que o excesso de peso pode causar uma doença renal.

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Alterações climáticas: Tribunal Europeu mostra que “inacção do Governo suíço viola direitos humanos”

4/9/2024
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos deu razão esta terça-feira, a um grupo de mulheres idosas que acusaram o Governo suíço de não cumprir as suas obrigações na luta contra as alterações climáticas. Mariana Gomes, presidente da associação Último Recurso, sublinha uma decisão histórica do tribunal porque mostra que “inacção do Governo suíço em matéria de aumento de temperaturas, ondas de calor e alterações climáticas, viola direitos humanos e viola os direitos humanos daquelas pessoas”. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) deu razão esta terça-feira, 09 de Abril, a um grupo de mulheres idosas que acusaram o Governo suíço de não cumprir as suas obrigações na luta contra as alterações climáticas. Por outro lado, o TEDH recusou a acusação de um ex-autarca francês que acusava o Estado de não cumprir a obrigação de garantir o direito à vida ao não combater adequadamente as mudanças climáticas. Em terceira deliberação, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos rejeitou a queixa de seis jovens portugueses que acusavam 32 Estados europeus de inacção em relação às alterações climáticas. O tribunal considerou que a acusação não preenchia as condições de admissibilidade. Mariana Gomes, presidente e fundadora da associação portuguesa Último Recurso, sublinha uma decisão histórica do tribunal porque mostra que “ inacção do governo suíço em matéria de aumento de temperaturas, ondas de calor e alterações climáticas, viola direitos humanos e viola os direitos humanos daquelas pessoas”. RFI: Peço-lhe uma primeira reacção a estas deliberações do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Mariana Gomes, presidente e fundadora da associação portuguesa Último Recurso: A primeira reacção é de vitória, o Tribunal [Europeu dos Direitos Humanos] hoje respondeu à questão: a inacção do Governo em relação às alterações climáticas viola ou não os direitos humanos? E a verdade é que, apesar de o caso dos seis jovens portugueses ter sido rejeitado, o caso suíço das idosas com mais de 75 anos não foi e, portanto, à partida, será uma vitória. Do ponto de vista jurídico, nós já tínhamos feito uma primeira interpretação, o facto dos seis jovens portugueses não terem esgotado as instâncias nacionais e de se terem dirigido imediatamente ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, poderia, desde logo, colocar aqui um impedimento legal, porque a norma é que se esgote primeiro nos tribunais nacionais e só depois então recorremos ao Tribunal Europeu. Mas, os casos do ex-autarca francês e dos jovens portugueses, apesar de o autarca ter esgotado as instâncias nacionais, acabaram por ser recusados pelo TEDH. Foi sim, o caso das idosas suíças, que acabou por ter aqui um “carimbo verde” do Tribunal Europeu. De alguma forma, fala-me de uma vitória, mas é uma vitória agridoce? Sim, eu iria utilizar a palavra agridoce, mas acredito que agora o foco deve ser em perceber aquilo que correu mal e perceber como é que o caso que hoje está nas instâncias nacionais portuguesas, será impactado com esta decisão histórica do tribunal em relação à Suíça. Aquilo que o tribunal decidiu é histórico, é que a inacção do Governo suíço em matéria de aumento de temperaturas, ondas de calor e alterações climáticas, viola direitos humanos e viola os direitos humanos daquelas pessoas. E é exactamente isto que a associação ao Último Recurso veio alegar na primeira acção de litigância que colocou em Portugal. Portanto, a inacção do Governo português no não cumprimento da Lei de Bases do Clima violava uma série de direitos constitucionais. Agora imaginemos que esta decisão não é aceite nos tribunais portugueses, nós já teremos uma maior certeza de que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos nos iria dar razão. Daí que eu acho que isto coloca um precedente histórico. De qualquer das formas, tanto o caso francês como o caso português tinham muitos erros substantivos de direito nas questões da territorialidade e o português pela abstracção com que os danos foram colocados. O impacto das...

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Alternativas ao plástico podem gerar mais gases com efeito de estufa que o próprio plástico

4/2/2024
As alternativas ao plástico podem gerar mais gases com efeito de estufa que o próprio plástico. A conclusão é de um estudo publicado na revista Environmental Science & Technology. Miguel Brandão, co-autor do artigo, explica que este estudo “compara as maiores aplicações do plástico com os substitutos para perceber os impactos no clima”: “se ao substituirmos um pelo outro há ganhos ou perdas no sentido de mudanças climáticas”. Os plásticos são responsáveis por 4,5% das emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE). Devido à ameaça que representam para a biodiversidade e para a saúde ambiental e pública, a eliminação dos plásticos transformou-se numa urgência dos diferentes poderes políticos. Todavia, as alternativas ao plástico podem gerar mais GEE que o próprio plástico. A conclusão é de um estudo publicado na revista Environmental Science & Technology. Os plásticos são controversos devido à sua produção a partir de combustíveis fósseis, às emissões durante a produção e eliminação, à potencial toxicidade e à contaminação do ambiente. Face a estas preocupações é comum apelar-se à redução da utilização do plástico e ao aumento do recurso a alternativas não plásticas. Todavia, estes apelos, muito transformados em leis, vastas vezes ignoram os impactos ambientais dos materiais alternativos. Acaba de ser publicado na revista Environmental Science & Technology, assinado por Fanran Meng, Miguel Brandão e Jonathan M Cullen, um estudo que revela que na maior parte dos casos, os produtos utilizados para substituir o plástico geram ainda mais impactos no clima. O documento não se debruça sobre o impacto do plástico na saúde ou poluição marítima, avalia única e exclusivamente as emissões de GEE dos produtos de plástico e das suas alternativas ao longo do ciclo de vida. Miguel Brandão, co-autor do artigo, explica que este estudo “compara as maiores aplicações do plástico com os substitutos para perceber os impactos no clima”: “se ao substituirmos um pelo outro há ganhos ou perdas no sentido de mudanças climáticas”. O professor de Ecologia Industrial e Avaliação de Ciclo de Vida no KTH Royal Institute of Technology (Instituto Real de Tecnologia) em Estocolmo, Suécia, sublinha que “seria limitativo descartar o plástico sem se ter a noção de que os seus substitutos possam ser piores, pelo menos no que diz respeito ao clima.” O cientista defende a necessidade de uma visão “holística, sistemática, compreensiva e com base na ciência” que olhe para o ciclo de vida do produto de forma a evitar a troca de um produto mau, por outro ainda pior. RFI: Peço-lhe que me dê as linhas gerais deste estudo. Miguel Brandão: O que nós fizemos foi comparar as aplicações mais representativas do plástico com os substitutos mais comuns em cada uma dessas aplicações e estimar o impacto no clima, tanto dos plásticos como das alternativas ao longo do ciclo de vida, para sabermos se ao substituirmos plásticos pelos substitutos haveria ganhos ou perdas no sentido de mudanças climáticas. Este artigo recentemente publicado demonstra que na maior parte das aplicações as alternativas ao plástico têm um impacto no clima superior. Nós não defendemos o uso de plásticos, porque aliás há muitos impactos que vão para além das mudanças no clima, como por exemplo, o tema dos microplásticos e da poluição marinha, mas em termos de mudanças climáticas, realmente o plástico parece ser um material bastante eficiente e seria limitativo descartar o plástico sem ter a noção de que os seus substitutos possam ser piores, pelo menos no que diz respeito ao clima. Portanto, o estudo avalia precisamente o impacto do plástico na emissão de gases com efeito de estufa. Não na questão do impacto do plástico na saúde humana, microplásticos, poluição marinha… mas na emissão dos gases com efeito de estufa? Exactamente. Portanto, [compara as emissões de gases com efeito de estufa] ao longo do ciclo de vida dos plásticos e dos substitutos. Em termos climáticos, o plástico parece ser...

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Guimarães premiada por combate às alterações climáticas

3/25/2024
Decorre esta terça-feira em Paris, os CDP Awards Europe. A participar no evento está a cidade de Guimarães pela acção climática que tem vindo a desenvolver. Paulo Lopes Silva, Vereador da Cultura, Turismo e Transição Digital da Câmara Municipal de Guimarães sublinha tratar-se de “um reconhecimento das políticas de adaptação e de mitigação do município às alterações climáticas.” Guimarães volta a candidatar-se a Capital Verde Europeia 2026. Decorre esta terça-feira em Paris, os CDP Awards Europe, prémios europeus da CDP que é uma uma organização internacional que opera na acção e transparência ambiental. CDP quer dizer Carbon Disclosure Project. A participar no evento está a cidade de Guimarães, o concelho integra a Lista A do CDP pela acção climática que tem vindo a desenvolver. Paulo Lopes Silva, Vereador da Cultura, Turismo e Transição Digital da Câmara Municipal de Guimarães sublinha que integrar a Lista A do CDP é “um reconhecimento daquilo que são as políticas de adaptação e de mitigação do município de Guimarães às alterações climáticas.” A Cidade volta este ano a candidatar-se a Capital Verde Europeia 2026. RFI: O que é que significa integrar a lista A do CDP? Paulo Lopes Silva, Câmara Municipal de Guimarães: Significa, acima de tudo, um reconhecimento daquilo que são as políticas de adaptação e de mitigação do município de Guimarães às alterações climáticas. Guimarães tem feito um caminho importante do ponto de vista das políticas de sustentabilidade ambiental e também da neutralidade climática. Sendo uma das 100 cidades europeias pela neutralidade climática que antecipou as suas metas de 2050 para 2030. Este é o reconhecimento de todos esses indicadores, da política da transparência, com que comunicamos tudo aquilo que tem a ver com a nossa qualidade ambiental neste território, com as medidas de redução das emissões de carbono e depois de mitigação daquilo que são as alterações climáticas no nosso território. Já não é a primeira vez que que Guimarães tem este reconhecimento, mas agora, nestas duas dimensões da adaptação e da mitigação, que mostra, de facto, que este compromisso do município de Guimarães é reconhecido pelas entidades internacionais como boas práticas e como um grande envolvimento não só do município, mas dos cidadãos e das empresas. É fundamental que todos estejam a bordo para haver sucesso nestas políticas. É a única cidade portuguesa que integra este ranking. ? Precisamente. Foram cerca de 900 candidatas, 119 neste nível, a única cidade portuguesa e, portanto, isso também é um sinal claro de que Guimarães, do ponto de vista nacional, em Portugal, está na vanguarda. Está no pelotão da frente deste combate às alterações climáticas. E quando é que começou este trabalho “verde”, este trabalho climático por parte da autarquia? Em 2013, houve uma mudança política, uma nova presidência, com o nosso Presidente Domingos Bragança a iniciar os seus mandatos na Câmara Municipal de Guimarães. E estabeleceu de imediato como prioridade a sustentabilidade ambiental, como a política transversal de todas as políticas públicas em Guimarães. Guimarães tinha sido Capital Europeia da Cultura, Cidade Europeia do Desporto, portanto habituada a andar nos patamares europeus de exigência nas áreas políticas públicas em que se envolvia. Na realidade, nesse momento houve uma mudança de paradigma, um grande investimento nesta área, focando naquilo que hoje, dez anos depois, se calhar é uma prioridade para muitos municípios, para muitos territórios, para muitos países. Mas há dez anos atrás era de facto uma grande convicção. De imediato foi criada uma estrutura de missão Guimarães 2030, que funciona no fundo como um ecossistema de governança que é multidisciplinar e que vai a todas as áreas de actuação do município e que faz não só das políticas ambientais, mas como de todas as políticas públicas definidas pelo município esta pedra basilar da sustentabilidade ambiental. Muito ancorada também no trabalho desenvolvido...

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Ilha do Príncipe debateu financiamento ambiental inovador

3/18/2024
A ilha do Príncipe recebeu na quinta e sexta-feira da semana passada, 14 e 15 de Março, uma conferência internacional sobre financiamento ambiental inovador. Em cima da mesa os diferentes desafios do contexto arquipelágico das ilhas, a necessidade de conservação da biodiversidade, a manutenção dos meios de subsistência da população e as alterações climáticas. A reserva mundial da biosfera foi o local escolhido para o evento que discutiu a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável no arquipélago são-tomense. Em cima da mesa os diferentes desafios do contexto arquipelágico das ilhas, a necessidade de conservação da biodiversidade, a manutenção dos meios de subsistência da população e as alterações climáticas. Para Filipe Nascimento, presidente do Governo Regional do Príncipe, “foi uma oportunidade de reflexão e partilha de conhecimento destes especialistas e parceiros, apontando os caminhos para um futuro com um acesso mais directo a oportunidades que venham reverter-se em investimentos para responder aos desafios da biodiversidade.” O presidente da região autónoma dá o exemplo da ilha do Príncipe como “uma combinação sustentável do património natural com a economia, sobretudo no turismo”. Todavia, Filipe Nascimento que ainda há um longo caminho a percorrer, nomeadamente no que diz respeito à transição energética: “é um caminho que requer um investimento considerável. A barragem do rio Papagaio é um processo que já leva sensivelmente quatro anos e estamos determinados em avançar agora e paralelamente o solar fotovoltaico também. Temos contacto com mais parceiros para que seja uma realidade e consigamos sair da actual situação muito delicada do fornecimento de energia na Região Autónoma do Príncipe.” RFI: Em que é que consistiu a conferência internacional sobre financiamento ambiental inovador? Filipe Nascimento, presidente do Governo Regional do Príncipe: A conferência foi uma oportunidade de juntar vários peritos e especialistas nas áreas ligadas a formas inovadoras de financiamento da biodiversidade e desenvolvimento sustentável. Foi uma parceria entre o Estado santomense através do Governo e do Ministério do Ambiente, junto dos parceiros do Sistema das Nações Unidas e Banco Africano de Desenvolvimento, realizado na Região Autónoma do Príncipe, com toda a participação e colaboração do Governo Regional, sobretudo por sermos uma Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO. Foi uma oportunidade de reflexão, mas também de um trabalho de partilha de conhecimento destes especialistas, destes parceiros, apontando os caminhos como se pode aceder às oportunidades para um futuro com um acesso mais directo em oportunidades que venham reverter-se em investimentos para responder aos desafios que temos no sector da biodiversidade. Houve, naturalmente, a partilha de experiências interessantes do ex-ministro das Finanças de Seychelles, do vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde, vários representantes de instituições com experiências acumuladas que partilharam com o nosso país, São Tomé e Príncipe. O que nós vimos de toda essa experiência, é a necessidade de uma melhor coordenação, mas também depois monitoramento e seguimento de todas as oportunidades que foram espelhadas durante a conferência. Os novos modelos de financiamento como crédito de carbono, o crédito de carbono é um novo modelo de financiamento e o nosso país tem um potencial, não diríamos só em termos quantitativos, comparando com outros países de um território muito maior, mas em termos, por exemplo, qualitativos, temos uma floresta e uma biodiversidade muito conservada. Pegando no caso do Príncipe, em que cerca de 59% de toda a ilha é um parque natural que é área protegida, estamos no processo de criação de áreas marinhas protegidas, tanto na ilha do Príncipe como também na ilha de São Tomé. E se olharmos nas duas ilhas em termos da proporção da área terrestre protegida, que são os dois parques, constituem um terço do país, sendo que...

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São Tomé e Príncipe: Celulite necrotizante entre as principais causas de internamento hospitalar

3/11/2024
A celulite necrotizante é uma das principais causas de internamento hospitalar em São Tomé e Príncipe. No mês de Janeiro, o serviço de cirurgia geral do Hospital Ayres de Menezes acolheu 22 pacientes. Trata-se de uma doença de fácil diagnóstico e tratável com recurso a antibióticos, todavia o diagnóstico tardio, muitas vezes por falta de informação e recurso a tratamentos tradicionais, culmina em internamento e em cirurgia para retirar os tecidos destruídos pela infecção. A celulite necrotizante é uma das principais causas de internamento hospitalar em São Tomé e Príncipe. Posição que partilha com a hipertensão e a diabetes. No mês de Janeiro, o serviço de cirurgia geral do Hospital Ayres de Menezes acolheu 22 pacientes, 12 mulheres e 10 homens. A celulite necrotizante não é uma doença contagiosa, manifesta-se sob a forma de úlcera na pele que evolui de forma rápida e profunda. É de fácil diagnóstico e tratável com recurso a antibióticos, todavia o diagnóstico tardio, muitas vezes por falta de informação e recurso a tratamentos tradicionais, culmina em internamento e em cirurgia para retirar os tecidos destruídos pela infecção. O médico são-tomense Jailson Vasconcelos alerta para a necessidade de um diagnóstico precoce, como melhor resposta para a doença, que com recurso a antibióticos permite “uma boa recuperação” “em menos de 5 a 7 dias”. RFI: O que é a celulite necrotizante? Jailson Vasconcelos, médico são-tomense: A celulite necrotizante é uma das formas de apresentação da celulite. É uma infecção da pele e tecidos moles, que inclui a parte da gordura, a parte dos músculos, tendões, até os nervos dos vasos sanguíneos. Esta infecção é causada principalmente por uma bactéria, que é a bactéria estreptococos e também pode ser causada por uma outra bactéria comum que habita na nossa pele, que é o estafilococo. A celulite aguda é aquela em que o paciente tem a pele inflamada, tem dor, tem vermelhidão. Na celulite sobreaguda o paciente tem bolhas nas pernas e umas lesões mais profundas. Já a celulite necrotizante não é uma lesão somente superficial, é mais profunda e pode alcançar também a capa do músculo, até mesmo o músculo. Trata-se de uma lesão mais grave e mais profunda e a recuperação do paciente é mais demorada. É uma doença do foro dermatológico? Não, necessariamente. Quando afecta somente a pele, chamamos de celulite aguda e médicos dermatologistas podem dar atendimento. Mas quando já é um pouco mais profunda, a infecção pode tornar-se grave e fazer uma infecção mais grave e pode pôr em causa a vida do paciente. Nesses casos, dessas lesões profundas, o cirurgião é que deve dar atendimento e um dos tratamentos é o deslizamento, é tirar aquela zona que foi destruída pela infecção. Normalmente isso se faz numa sala operatória, num bloco. É uma cirurgia? Geral, uma cirurgia, sim. Qual é a causa desta doença? É uma infecção causada por uma infecção que se inicia na pele por uma lesão. Na nossa pele temos bactérias, todo mundo tem bactérias que habitam na pele de forma permanente e algumas de forma transitória. Então, se eu tiver, por exemplo, um arranhão na minha perna, as bactérias que habitam a minha pele entram através desta ferida, colonizam aquela área e fazem uma infecção. Mas, de forma geral, se o meu sistema de defesa não for competente o suficiente, este pequeno arranhão, esta pequena ferida, é o suficiente para que a infecção se torne maior, infecta os vasos sanguíneos, os vasos linfáticos e seja algo um pouco mais grave. Então é uma infecção que acontece quando nós estamos imunodeprimidos, principalmente. Esta infecção acontece porque as defesas do organismo estão em baixo. Mas existem outros factores? A falta de higiene também pode ajudar no agravamento da infecção? Sim, aí estão os factores de risco. Aqui no nosso país, em São Tomé e Príncipe, ultimamente, no mês de Janeiro, tivemos no nosso serviço Cirurgia Geral na parte infecciosa, 22 pacientes internados, sendo 12 do sexo feminino, dez...

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Seca reduz produção de energia hidroeléctrica

3/4/2024
O mais recente relatório da Agência Internacional de Energia avança que as emissões globais de CO2 relacionadas com a energia aumentaram 1,1% em 2023, atingindo um nível recorde. Em causa está o crescimento económico da China e a baixa produção hidroeléctrica causada pela seca. Francisco Ferreira da Zero, dirigente da organização ambientalista Zero, explica que esta situação se deve ao facto de o mundo ainda continuar a recorrer aos combustíveis fósseis para a produção de energia. RFI: A que se deve este aumento das emissões globais de CO2? Francisco Ferreira da Zero, dirigente da organização ambientalista Zero, Este aumento, infelizmente, é a consequência de continuarmos a ter uma predominância muito grande do uso de combustíveis fósseis na produção de electricidade à escala mundial. Mas há também razões particulares que levarem a este aumento que, mesmo assim, foi inferior àquele que se verificou no ano anterior, entre 2021 e 2022. Nós tivemos um aumento de 410 milhões de toneladas, ou seja, 1,1% em 2023 em termos de emissões em relação a 2022 e de 2021 para 2022 tínhamos tido um aumento de 490 milhões de toneladas. Começa a haver aqui uma ligeira estabilização, mas, como digo, este aumento é explicado, em grande parte, por muitas secas. Uma das causas apontadas é a fraca produção de energia hidroelétrica associada às secas severas e prolongadas em várias regiões do mundo. A falta de água pode ameaçar a agenda climática? A falta de água já é, sem dúvida, uma consequência das alterações climáticas. É também um factor de agravamento dessas próprias emissões. Ou seja, temos aqui como que um ciclo positivo onde o clima leva ele próprio a termos maiores emissões. É o caso principalmente da Índia, onde o regime de monções foi diferente do habitual e, portanto, levou a uma redução significativa da produção hidroeléctrica. E também em Portugal, nós vimos como as emissões foram muito significativas não em 2023, mas em 2022, por causa da seca, quando as renováveis têm nas centrais hidroelétricas uma percentagem ainda importante. A China, que acrescentou 565 milhões de toneladas de CO2 ao total mundial, prosseguiu o crescimento económico intensivo depois da crise da pandemia da covid-19. A China continua a ser a avestruz, mete a cabeça debaixo de terra, ao não querer ver as ameaças que representas as alterações climáticas? A China tem aqui um misto de aspectos positivos e negativos, porque realmente o recurso ao carvão e a meta que a China tem de apenas atingir a neutralidade climática em 2060 está longe daquilo que se acha ser possível pelo país que, neste momento, tem a maior pegada carbónica à escala mundial. A China não tem conseguido, mesmo com o abrandamento da sua actividade económica, garantir objetivos mais ambiciosos na área do clima. Mas, por outro lado, a China, e isso transparece neste relatório, foi o país que em 2023 colocou tanta capacidade de painéis fotovoltaicos para aproveitar a energia solar como todo o resto do mundo em 2022. E, portanto, sem dúvida que nós temos um misto de uma transição energética a ser feita por parte da China, mas por outro lado, os objectivos podiam e deviam ser mais ambiciosos. Esta tendência é contrária à das economias avançadas, que registaram uma redução recorde das emissões, com a utilização do carvão no nível mais baixo desde o início do século XX. São Boas notícias? Estamos realmente a abandonar cada vez mais o uso do carvão. Em Portugal, 2021 foi o último ano em que recorremos ao carvão para a produção de eletricidade e, portanto, mesmo que recorramos a outros combustíveis fósseis-aqui refiro-me ao gás natural, o que é facto é que as emissões são praticamente cerca de um terço para produzir a mesma eletricidade em comparação com o carvão. Há aqui uma diferença avassaladora quando nós conseguimos retirar o carvão da equação. Agência internacional de energia faz questão de sublinhar o importante contributo das "energias limpas", incluindo as renováveis… É absolutamente...

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Bruma seca em Cabo Verde também prejudica a saúde

2/26/2024
Um episódio de bruma seca voltou a afectar o arquipélago cabo-verdiano no final do mês de Fevereiro. Trata-se de um intenso nevoeiro, que tem origem num vento carregado de pó vindo do Norte da África. Afecta o tráfego marítimo e aéreo, mas não só. Também se trata de uma questão de saúde pública. A doutora Maria do Céu Teixeira, alergologista em Cabo Verde, ajuda-nos a perceber os efeitos da bruma seca no sistema respiratório. O fenómeno de bruma seca é corrente em Cabo Verde entre Janeiro e Março. Este nevoeiro carregado de poeira também contem poluintes, o que pode provocar rinites ou bronquites ou até agravação de doenças respiratórias crónicas, como a asma. As pessoas mais vulneráveis são as crianças até os 5 anos e os idosos, assim como os doentes crónicos. Recomendo a utillização de máscara bem útil neste tipo de situação, cessar a actividade física e para os doentes crónicos tomar a medicação habitual. Em caso de febre ou de tosse aguda, não hesite em procurar cuidados médicos, insiste a doutoura Maria do Céu Teixeira. Em declarações à Lusa, com respeito as brumas secas, o meteorologista cabo-verdiano José Pimenta Lima salientou “uma intensidade relativamente crescente na concentração de partículas” nas recentes brumas secas. Além disso, consta que nos últimos três meses, Cabo Verde registou "uma temporada climatologicamente anormal”, com temperaturas muitas altas, vento pouco intenso e mar mais calmo do que o habitual, mostrando-se, por isso, preocupado com os indícios de mudanças climáticas.

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Cabo Verde: investigadora Pamela Borges vence prémio L’Oreal UNESCO 2023

2/20/2024
Pamela Borges, investigadora cabo-verdiana, de 33 anos está a realizar um trabalho de caracterização do cancro da mama em Cabo Verde, com apoio da Fundação Caloust Gulbenkian, projecto que termina em 2025. O Hospital Agostinho Neto foi a instituição que hospedou o projecto juntamente com o serviço de Oncologia de Cabo Verde. Antigamente, a análise das amostras tinha de ser feita no exterior, muitas vezes em Portugal, o que acabava por atrasar o início do tratamento. Actualmente, e graças também a este projecto, já é possível fazer o diagnóstico em Cabo Verde, o que ajuda a encurtar o tempo entre a descoberta da doença e o início da terapêutica. O trabalho de investigação de Pamela Borges já levou a que fosse distinguida com o prémio L’Oreal UNESCO para as mulheres na ciência em 2023. A cientista foi uma das 30 vencedoras na edição do ano passado e a primeira cabo-verdiana a receber tal distinção. Em entrevista à RFI, a engenheira biomédica fala-nos sobre este trabalho de investigação e começa por explicar-nos que este estudo começou depois de se ter observado que o número de casos de cancro da mama estava a aumentar significativamente no país.

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"Flexibilizar as regras ambientais é uma resposta simplista" aos protestos dos agricultores

2/13/2024
No continente europeu, os agricultores de vários países como a França, a Bélgica, a Alemanha, a Itália e Portugal, iniciaram um movimento de contestação, insurgindo-se nomeadamente contra o peso das regras ecológicas e exigindo maior protecção contra o que consideram ser concorrência desleal de produtos de fora da UE. Será necessário flexibilizar as regras ambientais para responder ao descontentamento dos agricultores, como o fez a Comissão Europeia, desregulamentando a utilização dos "novos" Organismos Genéticamente Modificados (OGM), altamente reprovado pelas associações ambientais, ou como a recente decisão do Governo francês, com a suspensão do plano Ecophyto, que previa a redução do uso dos pesticidas? A agricultura é uma das actividades que mais produz e emite gazes com efeito de estufa em França, o maior produtor agrícola da União Europeia. A nível mundial, a agricultura é responsável por 20% das emissões de gazes com efeito de estufa, segundo o Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS). Por onde é que passa a adaptação de um modelo agrícola às necessidades da segurança alimentar, sem causar danos à biodiversidade, ao clima e ao planeta? Ouça a entrevista com Carmen Bessa Gomes, especialista em Ecologia na AgroParisTech:

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São Tomé e Príncipe: "As pessoas vão para o mar e regressam sem peixe"

2/5/2024
Na semana passada, o governo São-Tomense anunciou a intenção de criar zonas marinhas protegidas, no intuito de fazer face ao aumento da pesca desregulada, fenómeno que associado às mudanças climáticas tem contribuído para a redução do pescado no mar são-tomense. Com o apoio de vários parceiros, nomeadamente Portugal, o país tem vindo a reforçar a sua capacidade de fiscalização marinha, sendo que o outro pendente da sua estratégia se relaciona com a protecção marinha e a possibilidade de o país regenerar os seus recursos haliêuticos. Neste âmbito, desde 2018, um conjunto de ONGs activas na área da protecção do meio ambiente, nomeadamente a 'Oikos', a 'Fauna e Flora Internacional', a 'Fundação Príncipe' e a 'Marapa' têm efectuado um trabalho de campo juntamente com os actores do sector, os pescadores e as palaiês, as vendedoras ambulantes de peixe, no sentido de definir áreas a serem protegidas e modos alternativos de complementar os rendimentos da pesca. Ao cabo de quase cinco anos de trabalho, foi elaborada com o governo uma proposta para a criação de seis áreas protegidas na ilha do Príncipe e de duas na ilha de São Tomé. Esta proposta que foi apresentada na semana passada deve ser objecto de um decreto, o país devendo em breve dotar-se daquelas que serão as suas primeiras áreas marinhas protegidas. Ao falar da importância destas medidas, Albertino Santos, técnico responsável por este projecto no seio da ONG 'Marapa', começa por esboçar o panorama que vive actualmente o país em termos de falta de pescado. "Temos uma plataforma que é bastante pequena e que também não tem grandes quantidades e a pesca é diária em São Tomé e Príncipe. Diariamente se pesca com artes boas e com artes nocivas. Por exemplo, nós temos aqui as redes de cerco que, pelas características da rede e pela maneira como é utilizada, chegamos a capturar peixes ainda antes do tamanho de desova. Este processo não é bom, não é saudável para o mar. Depois, se calhar há também a má influência das mudanças climáticas. Também já se nota alguma alteração do clima e logicamente também do mar. Mas o que se nota mesmo no mercado, é que os pescadores e as palaiês reclamam a diminuição da pesca", começa por referir o perito ao admitir que o desconhecimento da lei em matéria de pesca também tem algum impacto nesta situação em que "as pessoas vão para o mar e regressam sem peixe". Ao referir-se ao longo processo de discussão com as comunidades, os pescadores e as comerciantes de peixe, Albertino Santos refere que se optou por criar duas zonas protegidas em vez das oito inicialmente encaradas na ilha de São Tomé, sendo que na ilha do Príncipe, é ponderada a criação de seis zonas marinhas protegidas de pequenas dimensões. "No processo de consulta junto aos pescadores e às autoridades, havíamos identificado oito pontos diferentes que poderiam constituir áreas de interesse para a criação de áreas marinhas protegidas. Após alguma reflexão justamente das partes todas, concluiu-se que criar oito áreas marinhas em São Tomé de repente, seria muito exaustivo e exigiria muito financiamento. Então, houve um comité que decidiu criar inicialmente duas áreas marinhas protegidas experimentais, uma nos arredores de Santana, perto do 'Clube Santana' e há outra na zona sul que abarca Malanza, Porto Alegre, Jalé e o Ilhéu das Rolas. Essas áreas marinhas vão ter duas componentes: uma componente que é a chamada 'zona limitada' à pesca, onde nada poderá ser realizado e a outro 'zona de pesca sustentável', onde haverá regras" para continuar a pescar, refere o biólogo. Este processo inédito em São Tomé e Príncipe acontece num contexto em que ainda há muito trabalho de sensibilização por fazer junto da população do país e junto dos actores do sector, considera o técnico. "Os pescadores e as palaiês estão bem, não todos, mas a maioria está sensibilizada relativamente à diminuição dos recursos que lhes permitem ganhar a vida do dia-a-dia. Portanto, haverá todo um trabalho a ser feito assim...

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Cabo Verde livre de malária é “ganho histórico”

1/26/2024
A Organização Mundial da Saúde certificou Cabo Verde como país livre de malária. Este é “um ganho histórico”, sublinha Adilson de Pina, responsável pelo Programa de Eliminação do Paludismo em Cabo Verde, que falou à RFI sobre as etapas da luta contra a malária no país, as perspectivas que se abrem com esta conquista, como é que se evita a reintrodução da doença no arquipélago e até que ponto é possível sonhar com a erradicação da malária em África. RFI: O que significa para Cabo Verde esta certificação da Organização Mundial da Saúde? Adilson de Pina, responsável pelo Programa de Eliminação de Paludismo em Cabo Verde: "Cabo Verde foi certificado como país livre do paludismo. Isso significa que o país, a nível da doença do paludismo, deixa de registar casos locais de paludismo. Um dos critérios para a certificação da OMS é passar pelo menos três anos sem casos locais, o que significa que qualquer pessoa em Cabo Verde, qualquer pessoa que visite Cabo Verde e qualquer cabo-verdiano em Cabo Verde, está livre de contrair a doença, o que é um ganho histórico, sobretudo, para os países africanos. A nível da história do paludismo em Cabo Verde, desde a sua colonização, o país teve períodos nos anos 1940, 1950 em que mais de 50 por cento das hospitalizações eram devidas ao paludismo. Houve momentos em que foram criadas equipas de brigadas de luta contra a doença, nos anos 70 e 80. E por dois momentos consecutivos, o país também tinha chegado a esta eliminação desses casos locais. No primeiro momento, durante cinco anos, e no segundo momento, durante três anos. Mas a seguir a essas duas situações, o país voltou a ter casos, centenas de casos. Em 2017, foram registados 423 casos locais, últimos dos quais em Janeiro de 2018. A partir daí, o país reorganizou e reorientou as políticas, as intervenções, as acções de luta contra a doença, chegando a que, desde Janeiro de 2018 até à data, o país deixou de ter esses casos locais. Portanto, esta certificação significa, além de tudo o mais, a reorganização das intervenções, a eliminação dos casos locais e um sistema de vigilância robusto que é capaz de detectar todos os casos importados que entram no país." Que vantagens práticas vai ter para Cabo Verde, por exemplo, em termos de estruturas de saúde e até para o próprio turismo? "As vantagens: primeiramente é que o povo cabo-verdiano não sofre da doença, é menos uma doença que deixa de ser uma preocupação para nós. Significa melhor qualidade de vida e melhor saúde. É uma vantagem enorme a nível turístico. Isto significa que qualquer turista, em qualquer parte do mundo, ao decidir visitar qualquer país, Cabo Verde certamente estará na lista prioritária, uma vez que o turista que visita o país sabe que não corre o risco de ter uma doença mortífera a nível mundial. Nós sabemos que há mais de 600 milhões de casos que acontecem por ano e mais de 90% dos casos acontecem em África. Cabo Verde, sendo um país africano da África subsariana que não tem casos de paludismo local, significa que é um país certamente elegível para pessoas que querem ter um turismo saudável e um turismo sem risco de contrair o paludismo." Falou em 600 milhões de casos, 90% em África. No continente africano, só há quatro países livres de paludismo, nomeadamente Cabo Verde que é o quarto. Como é que isto acontece? "Argélia, Maurícias, Marrocos e Cabo Verde que é o quarto país [no continente africano]. Cabo Verde acaba por ser uma referência em África porque também a questão do paludismo exige o seu trabalho. Não é só diagnosticar e tratar dos casos, é a questão do sistema de saúde, é a questão da educação das pessoas, é a questão da sensibilidade à saúde, é a questão do saneamento, é a questão do meio ambiente. Portanto, são um conjunto de factores e Cabo Verde tem uma vantagem que é a seguinte: o facto de sermos ilhas. Aliás, temos dados de que há 35 anos e muito mais, há dezenas de anos, os casos tinham sido restritos às ilhas de Santiago e Boavista. Boavista registou...

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